segunda-feira, 6 de março de 2017

Agentes penitenciários do RN processam fabricante de armas

Segundo advogado responsável pela ação, a bala fica travada e a arma não dispara (Foto: G1/RN)
Um grupo de agentes penitenciários de Apodi, cidade do Oeste do Rio Grande do Norte, está processando a maior fabricante de armas do Brasil – a Taurus. Segundo um agente que não quis ser identificado, as pistolas não disparam. "Precisei fazer uma intervenção e a arma não disparou. Minha vida está em risco", relatou.

Em reportagem exibida no programa Fantástico, a Taurus afirmou ter conhecimento de algumas ações judiciais nas quais são alegados problemas com armamentos Taurus no Brasil, mas nega a existência de falhas ou defeitos nos mecanismos de funcionamento e segurança das armas. "Ressaltamos que não foi encontrado qualquer defeito específico em nenhum modelo de armas produzidas pela Taurus, segundo perícias realizadas até o momento dentro das normas técnicas aplicáveis", afirmou a fabricante. 

Segundo o advogado Jorge Ricard Jales Gomes, responsável pela ação, o processo foi protocolado na Comarca de Apodi na última quinta-feira (2). “Estamos esperando o primeiro despacho do juiz, que é a marcação da audiência para que a Taurus de manifeste”, explicou. “Temos perícia e testemunhas que provam o problema que estamos relatando. A bala fica travada na arma e não atira", afirmou.

'Vítimas da Taurus'
A quantidade de acidentes e incidentes, alguns bem mais graves que o relatado no RN, motivou a criação da página 'Vítimas da Taurus'. Fica no Facebook, onde as situações são expostas para pressionar a fabricante. Os policiais cobram providências em nível nacional.

O Fantástico exibiu resultados de um teste realizado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, em 2016, para avaliar a eficiência das armas da Taurus em um lote adquirido em 2013. Das 55 pistolas examinadas, 36 tiveram problemas, sendo 20 da PT 940, que apresentaram pelo menos uma falha, e outras 16 da PT 840, que teve 16 reprovadas.

Segundo o agente penitenciário do RN que não quis ser identificado, o trabalho já é arriscado e fica ainda mais difícil com a falha do armamento. "Põe em risco a minha vida. Ela tem um defeito que trava e impede a minha ação, mas também pode disparar a qualquer momento. É uma bomba relógio", lamenta.

As armas dos sete agentes que entraram com a ação foram compradas para uso pessoal, mas a empresa detém, pela lei nº 12.598/2012, o direito, quase que exclusivo, de fomentar o mercado de armas das polícias brasileiras. "Vamos acionar também o Ministério Público para essa questão", destacou o advogado Jorge Ricard.


Na ação, os agentes pedem o ressarcimento sobre o valor atualizado das pistolas, do modelo PT638, que podem custar até R$ 4,5 mil. "A indenização pode chegar a R$ 6 mil, pois tem também o risco de vida que esses homens correm", explicou Ricard.

G1RN

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