quarta-feira, 10 de maio de 2017

A Amazônia já foi mar (mais de uma vez)

Como explicar o fato de que a Amazônia concentra 10% de toda a biodiversidade do planeta? Com um dente de tubarão e uma lacraia do mar.

Uma série de cientistas já defendia que a Floresta Amazônica teria sido invadida por água salgada. Mas faltavam evidências concretas que cimentassem a teoria. Era uma possibilidade atraente: uma mudança ecológica desse tamanho poderia facilmente causar a pressão evolutiva necessária para que toda a diversidade de espécies que conhecemos se desenvolvesse. 

Para confirmar essa hipótese, um time internacional cheio de grandes autoridades gringas foi reunido pelo Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical. O foco de seus estudos foi uma série de sedimentos encontrados em poços de petróleo na Colômbia e em rochas no norte do Brasil. Nas camadas mais profundas, encontraram o dente de tubarão e o crustáceo. Mas a prova mais relevante era bem menos impressionante: pólen, muito pólen.

Não do tipo que vem de flores e causa alergia na primavera, mas uma versão muito parecida produzida por plantas aquáticas e algas. Eles são úteis porque o pólen que surge em água salgada pode ser diferenciado daquele que vem da água doce.

Os cientistas analisaram 15 mil grãos individuais desse pólen, organizados ao longo do tempo em camadas. O que perceberam é que esses grãos formavam sanduíches: duas camadas de pólen marinho, separadas por várias camadas de pólen de água doce.

Para os pesquisadores, os resultados apontam para duas inundações de água salgada. A primeira, responsável pela primeira “fatia” do sanduíche, teria acontecido há 17 milhões de anos. Foi rápida e seguida de um tempo mais tranquilo, de readequação da fauna e da flora, que só durou entre 1 e 4 milhões de anos. Por fim, veio mais uma inundação, igualmente curta, direto dos mares do Caribe, fechando o sanduíche.

Mas como o mar teria invadido a Amazônia? Graças aos movimentos tectônicos. Os mesmos movimentos geológicos que “criaram” a cordilheira dos Andes também abaixara, temporariamente, o nível do solo ao redor das montanhas, deixando a água entrar do Caribe, atravessando a Venezuela, e chegando no Brasil. Tudo voltou ao normal quando os movimentos geológicos se estabilizaram. Até mais uma forcinha das placas tectônicas, milhões de anos depois, repetir todo o processo.

Super Interessante, Abril 

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