segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Lula diz que Dilma 'traiu seu eleitorado' em 2014

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Sérgio Lima / AFP/9-10-17
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a ex-presidente Dilma Rousseff "traiu o eleitorado que a elegeu" em 2014, quando anunciou que faria um ajuste fiscal. A declaração foi dada ao jornal espanhol "El Mundo", em entrevista publicada neste domingo. De acordo com Lula, este foi um dos erros cometidos por sua sucessora na Presidência.

— O segundo erro (do governo) veio quando a presidente anunciou o ajuste fiscal e traiu o eleitorado que a elegeu em 2014, ao qual tínhamos prometido que manteríamos os gastos. Assim começamos a perder a credibilidade — afirmou o ex-presidente, que em seguida comparou o ano de 2015 com 1999: 

— O ano de 2015 foi muito parecido com 1999, quando Fernando Henrique Cardoso tinha popularidade de 8% e o país tinha quebrado três vezes. No entanto, nesta ocasião o presidente da Câmara era Michel Temer, que o ajudou a governar. Nós (do PT) tínhamos Eduardo Cunha (como presidente da Câmara em 2015), que se encarregou de barrar cada reforma que Dilma propunha. Foi ele quem levou adiante um processo ilegítimo de impeachment. Tínhamos um inimigo em casa.

Lula também fez críticas à política de desonerações de empresas durante o mandato de Dilma. Segundo o ex-presidente, esse foi o maior erro da petista.

— Claro que falhamos. Nosso maior erro foi exagerar na política de desonerações das grandes empresas. O Estado deixou de arrecadar para dar aos empresários, e em 2014 saía mais dinheiro do que entrava. Entre 2011 e 2014 se desonerou R$ 428 milhões. Quando Dilma tentou acabar com essa ajuda, o Senado não permitiu — disse.

Confira abaixo outros trechos da entrevista:

ARREPENDIMENTO POR 2014

Não me arrependo (de não ter sido candidato em 2014), porque antes de tudo sou leal à democracia e à Dilma Rousseff. Ela era a mandatária e tinha o direito de ser reeleita. Não sou o tipo de pessoa que se lamenta. Temos que olhar para frente. Quero voltar a ser presidente para mostrar ao mundo que o Brasil pode funcionar.

FÓRMULA PARA RECUPERAR O PAÍS

O Brasil tem que voltar a ser governado pensando na maioria, e não em alguns poucos. Por isso, o primeiro que penso é implementar um referendo revogatório de muitas medidas aprovadas pelo Michel Temer. É criminoso ter uma lei (do teto de gastos) que limita durante 20 anos a possibilidade de inversão do Estado. No Brasil faltam coisas básicas como saneamento, tratamento de água.

MERCADO REAGE BEM A TEMER

Claro, pretendem privatizar o país. Só temos que ver o que querem fazer com a Petrobras. O petróleo era nosso passaporte para o futuro. Se o vendem, nos deixam sem soberania. É uma pena que destruam assim nossa empresa.

DIZEM QUE CORRUPÇÃO DESTRUIU A PETROBRAS...

Coloquemos que tenha sido assim. Que prendam todos os corruptos, mas não quebrem a empresa e acabem com o trabalho de milhares de pessoas.

CONDENAÇÃO x CANDIDATURA

Não há ninguém que saiba cuidar do povo mais necessitado como eu. Conheço suas entranhas, como vivem, o que precisam. Se pensam que uma condenação vai me tirar a ideia de ser candidato, conseguiram o efeito contrário. O julgamento ao qual estou submetido é uma farsa. Nem a Polícia Federal nem o Ministério Público encontraram provas para me acusar, por isso digo que a sentença do juiz Sergio Moro é eminentemente política. Num primeiro juízo, diziam que eu tinha apartamento numa praia e que lá tinha dinheiro da Petrobras. Quando entramos com um recurso, o mesmo juiz que me condenou (Moro) depois disse que nunca tinha dito que o apartamento era meu e que era dinheiro da Petrobras. Então, se não é meu nem tem dinheiro da Petrobras, por que me condenaram? A única resposta que tenho é que fazem isso porque são reféns da imprensa. Hoje no Brasil os meios (de comunicação) têm mais poder do que o Ministério Público e, pela primeira vez, um juiz se comporta de acordo com a opinião pública. Encontraram dinheiro na casa do (senador) Aécio Neves, do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Mas, na minha casa, nada. Revistaram contas de bancos de todo o mundo para encontrar algum desvio de dinheiro e nada. Mas de manhã, de tarde e de noite, a imprensa me destrói e se nega a publicar que não há provas contra mim.

PT: APOIO INCONDICIONAL A MADURO

Não dou nenhum apoio incondicional. Há muitas coisas que não estou de acordo com Maduro, e também com presidentes de outros países. Defendo para a Venezuela o mesmo que defendo para o Brasil, e é que discuta seus assuntos sem a ingerência externa. Não entendo por que a Europa se preocupa tanto com Maduro, que, afinal, foi eleito democraticamente. Os venezuelanos terão que resolver seus problemas entre eles.

E QUANTO AO TRUMP?


Sou muito cuidadoso ao analisar as pessoas. Posso dizer que me surpreende que o presidente de um país do tamanho e da importância dos Estados Unidos se ponha a falar de tudo. Há coisas que tem que um funcionário do Estado tem que dizer. Um secretário... Talvez (ele fale de tudo) porque acabou de chegar e tem coisas para aprender. Mas não se pode governar o mundo pelo Twitter.

O Globo

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