quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

'Estou extremamente tranquilo', diz Lula sobre julgamento no TRF-4

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu perfil no Twitter para dizer, nesta quarta-feira, que está "extremamente tranquilo" sobre o julgamento que acontece no Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), relativo ao caso do tríplex do Guarujá. Ele está acompanhando a análise do seu recurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

Três desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidem se ratificam ou alteram a sentença na qual o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão. O julgamento começou às 8h30 desta quarta-feira. Lula já anunciou que pretende disputar as eleições presidenciais este ano, mas ele pode ter a candidatura impugnada em caso de condenação.

O ex-presidente chegou ao local por volta das 10h10, em uma comitiva de carros pretos. Segundo a entidade, o petista está acompanhado do presidente do sindicato, Wagner Santana, e de outros dirigentes, como Rui Falcão, Aloísio Mercadante e Luiz Marinho.

Lula frisou em um discurso no sindicato, transmitido ao vivo em sua página do Facebook, que está com a consciência tranquila no que diz respeito à análise do recurso. Ele se defendeu das acusações, dizendo que não cometeu nenhum crime.

"Estou extremamente tranquilo e tô com a consciência de que não cometi nenhum crime. A única coisa certa que pode acontecer é eles dizerem que o Moro errou. Eu tenho muita disposição e o que está acontecendo comigo é muito pouco diante do que está acontecendo com milhões de brasileiros desempregados nesse país", disse.

O julgamento de Lula
Ele também comentou as críticas direcionadas ao próprio Partido dos Trabalhadores (PT) nos últimos anos e alfinetou os que se opõe a sua visão política.

"Talvez ainda não tenha passado o efeito da anestesia que foi dada no povo brasileiro. Se contou muita mentira sobre o PT, sobre a @dilmabr. Diziam que ia melhorar... Agora o povo está começando a acordar. Estão vendendo nosso corpo. Rifando a Petrobras, o BNDES, a Caixa Econômica Federal... Resolveram criticar porque o PT estava fazendo demais. Porque estávamos conversando demais com a Bolívia, com o Equador, com a Venezuela ao invés de conversar com os EUA. O que incomoda eles é que a gente não queria ser mais do que ninguém, mas não aceitamos ser menos. Reclamaram das minhas relações com a África. Esse país deve sua cultura a África, aos negros africanos. Somos resultado da miscigenação", destacou.

A importância do sindicato, fundado em 1959, onde ele acompanha o julgamento, entrou no discurso quando o ex-presidente ressaltou a influência que ele teve na história do Brasil.

"Eu sei o que esse sindicato significa pra democracia. A conquista que vocês tiveram ao longo dos anos incomodou a elite brasileira. Esse país sempre foi pensado para 35% da população", afirmou Lula.

Pobre era estatística. E quem é que colocou o dedo na ferida? Fomos nós. E eu sei que é isso que está em julgamento.
O petista começou a acompanhar a julgamento no momento em que seu advogado, Cristiano Zanin Martins, fazia a sustentação oral em Porto Alegre. Lula deixou de acompanhar com os sindicalistas a acusação do Ministério Público Federal e as falas dos advogado da Petrobras e de Paulo Okamotto. A leitura dos votos dos desembargadores, porém, ainda não tinha começado quando Lula chegou ao sindicato.

Nas redes sociais do ex-presidente, ele agradeceu a presença dos companheiros militantes no sindicato.


"A única coisa que eu tenho certeza é que só o dia que eu morrer eu vou parar de lutar. Quero agradecer os companheiros que estão aqui comigo. Os companheiros do MST, do Levante Popular... Um beijo no coração. Se tem uma coisa que carrego na alma é que esse sindicato é responsável por tudo que eu fui na vida. Eles se preparem porque a gente vai voltar e vai transformar esse país", disse.

O Globo

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