terça-feira, 10 de abril de 2018

BARRAGEM ARMANDO RIBEIRO TOMA MAIS ÁGUA NOS ÚLTIMOS DIAS

Parede da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do RN, fica em Itajá, na região Oeste potiguar (Foto: Bruno Andrade)
O fim de semana que passou foi de alívio no interior do Rio Grande do Norte. É que choveu forte em praticamente todas as regiões do estado. Em 9 cidades, por exemplo, as precipitações passaram dos 100 milímetros. Inclusive, quatro reservatórios da região Oeste saíram do chamado volume morto – nome que se dá à reserva de água mais profunda das represas. Porém, segundo o Instituto de Gestão das Águas do Estado (Igarn), o nível de água nas maiores barragens do estado ainda preocupa. Dividindo o volume existente em quatro delas, a média não chega a 12%. 

Previsão
O G1 perguntou ao Igarn se é possível prever quanto tempo de boas chuvas é necessário para que estes grandes reservatório retomem sua capacidade máxima. A resposta foi dada pelo presidente do instituto, Josivan Cardoso: 

"O Igarn simulou, através de dados de monitoramento e acompanhamento, e foi possível mensurar que, se o inverno deste ano tivesse regularidade média com chuvas constantes nas áreas de drenagens dos reservatórios, poderia chegar a uma recuperação de 20% da situação. Entretanto, ainda não foi possível ter mudanças significativas que apontem esta previsão. Isso decorre da inconstância das precipitações, mesmo já tendo ocorrido em alguns reservatórios uma recuperação mínima. Sendo assim, o que se pode afirmar é que, havendo dois invernos com acumulado pluviométrico médio nas áreas onde se encontram os reservatórios, e estas chuvas sendo constantes, teria significância positiva para uma recuperação de volume de água dos grandes reservatórios".

Armando Ribeiro
Parede da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do RN, fica em Itajá, na região Oeste potiguar (Foto: Bruno Andrade)
Maior reservatório do Rio Grande do Norte e o segundo do Nordeste, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves tem suas comportas localizadas na cidade de Itajá, no Vale do Açu, e capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos de água. Ela é responsável pelo abastecimento direto de aproximadamente 40 cidades nas regiões Central e Oeste do estado.
Em 2009, com a água no topo da torre de observação, dá pra ter uma ideia do quanto a barragem secou. Ao lado, imagem registrada agora, em 2018 (Foto: Carlos Santos Júnior/Cedida e Anderson Barbosa/G1)
Estava com 286,3 milhões de metros cúbicos no relatório do dia 28 de dezembro do ano passado, o que representava 11,93% do volume máximo. Agora, de acordo com medição feita nesta segunda-feira (9), o nível atual é de 315,7 milhões, ou seja, 13,16% da capacidade.

No dia 3 de janeiro, a barragem entrou em volume morto. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde sua inauguração, em 1983. Com as chuvas que acumuladas este ano, o reservatório voltou a receber água e melhorou a capacidade, saindo do volume morto no último dia 3. A situação, contudo, ainda é preocupante segundo o Igarn.

Santa Cruz
Barragem de Santa Cruz, em Apodi, é o segundo maior reservatório do Rio Grande do Norte (Foto: Cassinho Morais)
A segunda maior barragem potiguar é a de Santa Cruz. Fica em Apodi, na região Oeste do estado. Ela tem capacidade total de 600 milhões de metros cúbicos, mas atualmente possui pouco mais de 106 milhões de acordo com monitoramento feito nesta segunda-feira (9). O nível epresenta 17,77% do total.

Umari
Barragem Umari, em Upanema, é a terceira do Rio Grande do Norte em volume de água (Foto: Renato Medeiros)
Também na região Oeste fica a cidade de Upanema. Lá está a Barragem de Umari, a terceira maior do estado. A capacidade total é de 292,8 milhões de metros cúbicos, mas o volume atual é de 42,2 milhões de metros cúbicos, o que representa um volume de 14,45% de acordo com a medição feita no início desta semana.

Gargalheiras
Gargalheiras, em Acari, é uma das maiores barragens do Rio Grande do Norte (Foto: Canindé Soares)
Outra grande barragem do Rio Grande do Norte, considerada por muitos a mais bela, é o Açude Marechal Dutra. Mais conhecido com Gargalheiras, o reservatório fica no município de Acari, distante 210 quilômetros de Natal, e faz parte da bacia hidrográfica do Rio Piranhas-Açu, tendo sido inaugurado em 1959.

O Gargalheiras tem capacidade para 44,4 milhões de metros cúbicos de água, mas atualmente não possui sequer 1% desta capacidade. Quase seca, a barragem tem agora 19.5 mil metros cúbicos de água, ou 0,04% de seu volume máximo, de acordo com medição feita na segunda (9) pelo Igarn.

Seca Histórica
Com as torneiras vazias, população de muitas cidades do estado precisam recorrer a chafarizes públicos para ter o que beber (Foto: Anderson Barbosa/G1)

A disponibilidade hídrica total do Rio Grande do Norte é de 4.411.787.259 metros cúbicos de água. Em 2011, devido ao bom período chuvoso naquele ano, o índice chegou a 89,52% de sua capacidade. Agora, após praticamente seis anos seguidos de estiagem severa, o acumulado é de aproximadamente 613 milhões de metros cúbicos, o equivale a 13,94% de toda a reserva disponível no estado.

Dos 47 açudes ou barragens monitorados pelo órgão, que são os que possuem capacidade superior a 5 milhões de metros cúbicos de água, 16 estão totalmente secos (34,04%) e outros 19 em volume morto (40,42%).

Dos 167 municípios potiguares, 153 estão em calamidade por causa da seca. Isso significa 92% do estado. Deste total, 15 cidades estão em colapso no abastecimento, ou seja, sem água nas torneiras.

Em outras 84, a Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) criou sistemas de rodízio para garantir o mínimo de fornecimento. E os prejuízos, segundo o governo, já passam dos R$ 4 bilhões por causa da redução do rebanho e do plantio.
  • Cidades em colapso
  • Luis Gomes, desde outubro de 2011
  • Tenente Ananias, desde agosto de 2014
  • João Dias, desde novembro de 2014
  • São Miguel, desde janeiro de 2015
  • Pilões, desde março de 2015
  • Rafael Fernandes, desde novembro de 2015
  • Paraná, desde dezembro de 2015
  • Francisco Dantas, desde fevereiro de 2016
  • Marcelino Vieira, desde fevereiro de 2016
  • Almino Afonso, desde março de 2016
  • José da Penha, desde novembro de 2016
  • Cruzeta, desde setembro de 2017
  • Jardim do Seridó, desde outubro de 2017
  • Messias Targino, desde janeiro de 2018
  • Patu, desde janeiro de 2018

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