segunda-feira, 14 de maio de 2018

Tite convoca hoje a seleção para Copa


Olhando para as dez convocações anteriores feitas por Tite, a desta segunda-feira, por motivos óbvios, é muito mais aguardada do que todas elas. A cada nome citado pelo técnico no auditório da CBF, a partir das 14h, será dada mais do que uma oportunidade de defender a seleção brasileira: será a confirmação aos 23 jogadores de que eles farão parte do seleto grupo dotado da responsabilidade de vestir a camisa do Brasil em uma Copa do Mundo. E convencer Tite quanto ao merecimento demanda trabalho.

Para dar subsídios ao treinador na montagem do time ideal para a Rússia-2018, a comissão técnica da seleção viajou muito durante os últimos dois anos. Desde o início da era Tite, em junho de 2016, o técnico e sua equipe assistiram — in loco — a 251 partidas. Fora o incontável número de jogos vistos pelas televisões da muito frequentada sala de trabalho na CBF. 

Em 2016, foram 72 partidas in loco (17 no exterior e 55 no Brasil). Em 2017, único ano com trabalho do início ao fim da atual comissão técnica, foram 138 (73 no exterior e 65 no Brasil). Em 2018, mesmo com apenas duas partidas disputadas, foram 41 jogos observados (22 fora e 19 no Brasil). Unindo os dados, são 112 partidas no exterior e 139 em solo brasileiro.

A observação in loco tem componentes que os jogos pela TV não dão. Além da possibilidade de ver a partida como um todo, Tite já citou que vê nas viagens uma demonstração de prestígio a cada jogador. E isso ainda se torna um fator motivacional para que o atleta busque o melhor desempenho possível no clube, ainda que não apareça nas convocações.

Com essa filosofia e como não conseguiria estar em todos os lugares ao mesmo tempo, Tite contou com o apoio dos auxiliares Sylvinho, Cleber Xavier e Matheus Bacchi, além dos analistas de desempenho Fernando Lázaro e Thomaz Araújo. O preparador de goleiros, Taffarel, e o preparador físico, Fabio Mahseredjian, também participaram do ciclo de viagens.

— A visualização in loco é algo que o Tite pede muito, para ampliar o julgamento dos analistas em relação a um sistema tático, posição/função ou a forma de um jogador se comportar em lances de ataque e defesa — explicou Edu Gaspar, coordenador de seleções, ainda nos primeiros meses de trabalho na CBF.

Contando com o Brasil, a comissão técnica da seleção passou por 12 países. Alguns cujas ligas tradicionalmente fornecem jogadores à equipe nacional e outros que viraram destinos alternativos graças ao investimento pesado no futebol — como é o caso da China. Houve até uma viagem aos Estados Unidos, em julho de 2017, para ver quatro partidas de grandes clubes da Europa em torneios amistosos de pré-temporada.

Acompanhar os jogadores de perto também é uma forma de “driblar” as dificuldades de ser um treinador de seleção: junção esporádica do grupo, com pouco tempo para treinar e, em geral, dois jogos em um período aproximado de dez dias.

Depois de dez convocações, 19 partidas (12 pelas Eliminatórias e sete amistosos) e 64 jogadores convocados, a seleção só perdeu um jogo com Tite na rota que visa à conquista do hexa.

DÚVIDAS FINAIS

O treinador deu uma cara à seleção brasileira. Hoje, a maior parte do grupo está consolidada e restam poucas dúvidas no preenchimento das vagas para a Copa — a essa altura, espera-se que só para o torcedor. A interrogação mais recente surgiu em relação à lateral direita, já que Daniel Alves não terá condições físicas de ser convocado. Danilo, do Manchester City, e Fagner, do Corinthians, foram os dois utilizados com maior frequência na posição. Rafinha, do Bayern de Munique, corre por fora.

A lateral esquerda também tem uma disputa interessante. Filipe Luís e Alex Sandro brigam pelo espaço. A postura da comissão técnica de mudar a programação de observação — cancelando compromisso na Turquia para acompanhar, na Espanha, a reta final de recuperação do jogador do Atlético de Madrid — mostra a moral que Filipe Luís tem com Tite.

No ataque, com Gabriel Jesus e Roberto Firmino assegurados, Tite tem nas mãos a decisão de levar ou não um centroavante mais avantajado fisicamente — Willian José seria esse nome. Sem ele, a tendência é que a vaga vá para um meio-campista. Seja ele um “ritmista” ou não. Arthur, do Grêmio, e Giuliano, do Fenerbahçe, estão ansiosos.

Cássio, do Corinthians, e Neto, do Valencia, são dois que brigam pela vaga de terceiro goleiro. Na zaga, Pedro Geromel, do Grêmio, é o favorito para a quarta vaga. A conferir o desfecho.


O Globo