terça-feira, 5 de junho de 2018

Nos últimos dez anos, taxa de homicídios no RN cresce 257%, aponta Atlas da Violência

Nos últimos dez anos, a taxa de homicídios que mais cresceu no Brasil foi a do Rio Grande do Norte, apontou nesta terça-feira, 5, o Atlas da Violência, divulgado nesta terça-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na última década, a alta de homicídios no estado chegou a 256,9% para cada 100 mil habitantes. Em 2006, o RN tinha a terceira menor taxa entre as 26 unidades federativas e o Distrito Federal.

Ao longo dos 10 anos, o estado teve quase 12 mil mortes. Considerando apenas o número absoluto de assassinatos, o estado também registrou o maior crescimento do país. Enquanto no início da década o estado registrava 455 mortes violentas ao longo de um ano, em 2016 elas chegaram a 1854. O crescimento é de 307,5%. No Brasil, esse aumento foi bem menor: 25,8%.

Houve crescimento na quantidade de jovens assassinados em 20 Unidades da Federação no ano de 2016, com destaque para Acre (aumento de 84,8%) e Amapá (41,2%), seguidos por Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Roraima. A juventude perdida é considerada um problema de primeira importância no caminho do desenvolvimento social do país e que vem aumentando numa velocidade maior nos estados do Norte.

Sete unidades federativas do Norte e Nordeste têm as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes: Sergipe (64,7), Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3) e Bahia (46,9). Entre os 10 estados onde a violência letal cresceu no período analisado, estão o Rio Grande do Sul e nove pertencentes às regiões Norte e Nordeste.

No Rio de Janeiro, as taxas diminuíam desde 2003, mas em 2012 esse movimento se reverteu e, em 2016, houve forte crescimento dos índices. São Paulo mantém uma trajetória consistente de redução das taxas de homicídio desde 2000. Alguns fatores que podem explicar esse desempenho são as políticas de controle responsável das armas de fogo, melhorias no sistema de informações criminais e na organização policial e a hipótese de pax monopolista do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A redução dos homicídios também ocorre desde 2013 no Distrito Federal. A pesquisa constata a efetividade de programas como Paraíba pela Paz (PB) e Estado Presente (ES), lançados em 2011, quando esses estados eram o 3º e o 2º mais violentos do país, respectivamente. Em 2016, caíram para as posições de número 18 e 19.