quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Família de motorista da Uber espera há um ano por identificação de corpo no Itep


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No último domingo, enquanto muitos comemoravam o Dia dos Pais, o senhor Paulo César do Nascimento, de 51 anos, chorava na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Serra Caiada, no Agreste Potiguar. No sábado, 11 de agosto, fez um ano que a filha Suetânia Santos do Nascimento desapareceu. O corpo encontrado carbonizado no carro dela ainda espera pela identificação do Instituto Técnico-Científico de Perícia, o Itep.

Dia 25 agosto marcará os 31 anos de nascimento de Tânia, como ela é chamada por familiares e amigos. Ela era motorista da Uber. Trabalhava em um Nissan March, de cor branca e placa QGM – 0570. Foi nesse carro que um corpo foi encontrado carbonizado, três dias após o desaparecimento da mulher, e dentro do veículo totalmente destruído pelo fogo em um canavial no município de Arêz, na Grande Natal.


O número do chassi confirmou que o carro era mesmo o da mulher que, antes de virar motorista particular, trabalhou em concessionárias. Uma delas era da fabricante do veículo do qual retirava o sustento. O principal suspeito do desaparecimento é um ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento, e com quem Tânia avisou que estava no dia em que desapareceu.

O fogo destruiu tudo. O corpo que pode ser daquela mulher que saiu do interior para ganhar a vida na capital ficou irreconhecível. Mesmo assim, a família dela tentou sepultar o cadáver, mas foi impedida pelo Itep, por não se haver certeza de que trata de Suetânia Santos do Nascimento.

“O fogo queimou de um jeito que impossibilitou a identificação pela arcada dentária. Então a gente teve que ficar esperando pelo DNA”, contou Ana Paula dos Santos, de 32 anos, irmã de Tânia.

Um ano se passou e o aguardado exame de DNA ainda não foi feito. Ao longo dos meses, a família tentava convencer o Itep a liberar o corpo por um detalhe considerado primordial pelos familiares: um relógio que pertencia a mulher e que ficou quase intacto, mesmo com o fogo.

“Sempre falamos desse relógio para o pessoal do Itep. Nunca quiseram liberar o corpo. Mas quando se completou, mais ou menos, sete meses do caso, nos pediram uma foto dela com o relógio para então fazer a liberação. Não aceitamos mais. Agora queremos ter certeza de que é ela”, ressaltou a irmã.

De frente à igreja matriz, após a missa que marcou um ano do desaparecimento da filha, e com os olhos lacrimejando, seu Paulo César reforçou o discurso: “agora eu espero 100 anos, mas só recebo o corpo com a certeza de que é dela”.

O diretor do Itep, Marcos Brandão, não atendeu ao telefone para comentar o caso.

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