sábado, 22 de dezembro de 2018

Pipa e outras praias do Nordeste deixam de monitorar qualidade da água

Badaladas, praias do Nordeste deixaram de ter monitoramento da qualidade das águas ou reduziram a frequência com que as medições são feitas ao longo de 2018.

A situação atinge praias como as de Pipa e Maracajaú, no Rio Grande do Norte, e Jericoacoara, no Ceará.

Os estados alegam que as medidas foram tomadas devido à crise financeira do governo ou ao fato de as praias não apresentarem alterações significativas na balneabilidade no período sem coleta.

No Rio Grande do Norte, 18 pontos deixaram de ter monitoramento neste ano (33 locais foram analisados) por causa de restrições orçamentárias. Os salários do funcionalismo público, por exemplo, têm sofrido constantes atrasos.

Esses pontos sem análise eram monitorados em períodos de pico, de dezembro a fevereiro, quando o estado recebe um grande fluxo turístico.

Pipa, que em 2016 e 2017 foi classificada como boa, é uma das três praias de Tibau do Sul que ficaram fora da medição neste ano —as outras são Sibaúma e Barra de Guaraíras. Já em Maxaranguape, a praia de Maracajaú —avaliada como regular nos dois últimos anos—​ não foi monitorada.

Ela é ponto de saída de barcos para os parrachos, que ficam a sete quilômetros da costa, onde é possível mergulhar em meio a corais. Na mesma cidade, Barra de Maxaranguape também ficou sem análise.

“Fazíamos uma maior quantidade de praias, abrangendo toda a costa, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, mas devido à crise isso não aconteceu entre 2017/18 e não vai acontecer de dezembro a fevereiro agora”, afirmou Ronaldo Diniz, coordenador do estudo de balneabilidade pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica.

Também não tiveram avaliadas a balneabilidade praias de Areia Branca (2), Tibau (2), Baía Formosa (2), Canguaretama (2), Jacumã (1), Muriú (1), Touros (1), Macau (1) e Grossos (1). “Deveremos ampliar novamente o monitoramento, mas com certeza não será agora”, afirmou.

O acompanhamento é feito pelo Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente), órgão do governo do estado, em convênio com o instituto federal.

Além de recursos financeiros, o Idema fornece veículos para a coleta, enquanto o instituto oferece laboratório, pessoal para coleta e uma equipe multidisciplinar para análise.

De acordo com o coordenador, o ano foi marcado por boa balneabilidade das praias potiguares –16 boas, 15 regulares e 1 péssima.

“Com a ausência de chuvas, tivemos menos descarga de esgotos não tratados nas praias e consequentemente as praias estão mais limpas”, afirmou.

Em Ponta Negra, mais famosa das praias de Natal, três dos quatro pontos analisados foram classificados como regulares —apenas um foi bom, ou seja, esteve próprio durante o ano inteiro. No ano passado, foram três pontos bons e um regular.

Um dos pontos regulares neste ano é o do Morro do Careca, tradicional ponto turístico da capital. Nos dois últimos anos, a balneabilidade no ponto foi boa.

Já no litoral do Ceará, dos 67 pontos de coleta para o monitoramento da balneabilidade, mais da metade deles não teve monitoramento regular durante este ano.

Em Fortaleza, apenas 11 pontos de medição estiveram ativos nos últimos meses.

Em 35 praias cearenses, houve monitoramento somente em três semanas durante um ano inteiro.

A famosa praia de Jericoacoara, por exemplo, classificada como boa, foi monitorada apenas em dezembro do ano passado e em fevereiro e março deste ano.

A Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente), responsável por realizar o exame de balneabilidade, informou que o número de pontos monitorados varia de acordo com a quantidade de chuvas.

Conforme a Semace, a quantidade de aferições entre os meses de junho e janeiro, período de estiagem, é reduzida porque são poucas as variações de balneabilidade ocorridas no período.

Folhapress