quarta-feira, 12 de junho de 2019

POESIA PARA O DIA


PODERIA TER SIDO DIFERENTE...

Eu lembro da estação
Que tinhamos na cidade,
Mas a insensibilidade,
Não lhes deu muita atenção.
Nem mesmo a Voz da Razão
Conseguiu jamais tocar,
Os gestores do lugar,
Insensíveis a Cultura...
Que podiam com ternura,
A Cultura resgatar.

Uma Casa Cultural,
Tal poderia ter sido,
E assim fortalecido
Toda Cultura Local!
O Projeto Social,
Teria ido além...
Lindo e com a Nota Cem
Na Cultura Cidadã,
Pra no Brasil de amanhã,
Vivermos em paz... Amém!

Olhe as fotos e estágios,
Que a estação chegou!
O pobre prédio virou,
Inspiração pra adágios
Populares, que são ágios
Para nosso ensinamento...
Hoje é fonte de lamento,
A Casa Ferroviária
De estrutura precária
Leva sol, chuva e vento!

Cada recanto do prédio,
Testemunha o descaso
De quem lhes causou arraso,
Cedendo a qualquer assédio...
Esse tipo... Sente tédio
Do Folclore brasileiro
Talvez mandará ligeiro,
Por não vê-lo com valor,
Alguém lá, com um trator,
Derribá-lo por inteiro!

É preciso urgentemente,
Num Ato Sábio e Propício,
Que o Gestor em exercício...
Tome a causa e vá a frente!
Faça da estação da gente,
Ponto Forte do Folclore!
Vá logo e não demore,
Que um Povo Aculturado
Não aceita nada errado,
Ou qualquer mal que explore.

A estação reformada
Nos servirá para tudo!
Inclusive pra estudo,
Palestra qualificada.
Se for bem Arquitetada
Pra Cultura e o Lazer,
Nosso povo irá ver,
Que a Cultura é útil!
Já o desperdício inútil,
Só nos traz o desprazer.

Pode ser palco de luz,
De teatro e poesia...
E também de cantoria,
Que a Cultura produz.
E o crime se reduz,
Combatendo a violência...
Que traz perda e carência
Para nossa juventude,
Pois Cultura traz saúde
Para alma e consciência!

Vejo a estação sumindo
Nos rodapés do história,
Perdendo a sua glória
E alguns se divertindo.
Mas o futuro vem vindo,
E Deus não dorme um instante,
Esta Santa luz Brilhante,
Que sabe qualquer segredo...
Quem fez o mal terá medo
E uma vida frustrante.

Eu trago doce lembrança,
Quando lá eu me sentava
Na calçada e tocava,
A viola sem cobrança.
Toda aquela vizinhança
Ouvia sempre eu cantar...
Alguns, eu via chorar,
Olhando o clarão da lua,
Clareando nossa rua,
Deste Sertão Potiguar.

Na calçada eu toquei
Pra O Maestro Vicente,
Ouvindo atentamente,
As Canções que eu cantei.
Foi lá que eu recordei
Os tempos da Boemia...
A Velha Estação ouvia,
O Maestro e o Poeta,
Na quietude inquieta
Do Barco da Alegria!

Cultura é pra todo mundo...
Seja rico ou seja pobre!
Seja pequeno ou Nobre!
Sábio, simples ou profundo!
Até pra o vagabundo,
A estação foi guarida...
Em sua noite perdida
De pura vagabundagem!
Hoje só vejo a imagem
Da estação destruída.

Mas olhem a de Angicos
No Rio Grande do Norte,
Resistiu ao tempo forte
Dos vendavais sobre os picos.
E por pobres e por ricos,
Todo dia está cheia,
Desse jeito, então semeia
A Cultura do Artista...
Do Poeta Cordelista,
Que traz o verso na veia.

Tem a de Pedro Avelino,
Restaurada e muito bela,
E hoje quem dela zela,
Cumpre um sagrado destino
No solo Potiguarino
Da Estação toma conta...
Por que pra nossa não monta
Uma Ação de Resgate?!
Bote o caso em debate,
Que a Solução desponta.

Lajes também foi sensível...
Como Fernando Pedrosa...
De forma prodigiosa
Fizeram o impossível,
Tudo o que era cabível
Pelas suas Estações.
Macau faz muitas ações,
Pra poder então, mantê-la.
E a nossa iremos, vê-la
Restaurada pra canções?!...

Estação Ferroviária
É Patrimônio do Povo!
Restaure que fica novo
Para produção diária.
Não faça uma ação contrária,
Porque só traz prejuízo!
Não devia, mas aviso:
"Que quem com o ferro fere..."
Um golpe maior espere
No miolo do juízo!

Nostalgicamente findo,
O Poema com Amor.
Mostrei o grande valor
Da Estação quase indo...
Ao chão do Nordeste Lindo,
Que na Cultura investe
Do Sertão ao Agreste,
Eu canto com Voz Ativa,
Cantando eu grito: Viva
As Estações do Nordeste!

FIM

João Serrania-10/06/2019
Natural de Afonso Bezerra
Reside em Angicos
Rio Grande do Norte
Nordeste do Brasil.

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