Deus chamou Dona Rizonete para perto de Si.
Dizer que ela partiu é quase um erro de concordância com a vida que ela levou. Mulher de fé inabalável e de um sorrisão fácil — daqueles que iluminavam até os dias mais cinzentos —, Rizonete não passou pelo mundo de braços cruzados. Sua vida foi verbo, foi ação. Entregou seus dias ao trabalho e à calmaria do lar, mas guardou uma força gigante para estender a mão a quem precisasse. Na comunidade, seu nome era sinônimo de prontidão. Onde havia uma necessidade, lá estava ela, com a coragem de quem sabe que o amor só faz sentido quando compartilhado.
Dentro de casa, foi o alicerce. Desse amor genuíno que ela distribuía sem economizar, nasceu uma família unida pelo respeito, moldada pelo exemplo de uma mulher que sabia que a maior riqueza que se deixa não cabe em testamentos, mas se guarda no coração dos filhos e netos.
Angicos inteira sente o baque dessa ausência. A cidade, que tanto se beneficiou do seu vigor e da sua bondade, agora recolhe-se na saudade. Há um vazio na cadeira da calçada, uma prece a menos sendo dita em voz alta, uma risada que o vento não traz mais.
Dona Rizonete agora descansa nos braços do Pai. Cumpriu sua jornada com a beleza de quem soube semear o bem. Que o paraíso a receba com a mesma festa e o mesmo sorriso que ela, por tantas vezes, nos deu de graça aqui na Terra.
In memorian - Maria Rizonete de Azevedo