Angicos e o Sertão do Cabugi estão
mais silenciosos hoje. A partida de "Seu" Manoel Preto deixa um vazio nas
praças culturais e nos corações de Angicos, mas o silêncio que fica não é de
esquecimento, é de respeito. Homem de hábitos simples e vida pacata, ele trazia
na pele a marca do sol sertanejo e, na alma, a delicadeza de quem enxergava o
mundo através da poesia.
Sua fé inabalável e seu amor
profundo pela natureza e pela vida não cabiam apenas em si; transbordavam em
versos rimados que falavam direto ao coração do povo, transformando o cotidiano
rústico da nossa região em pura arte.
Presença luminosa e indispensável
nos saraus e eventos culturais, Seu Manoel era a própria personificação da
poesia sertaneja. Sem os artifícios ou as vaidades dos grandes centros, sua
escrita era como a terra após a chuva: simples, verdadeira e cheia de vida. Ele
não precisava de palcos grandiosos para ser gigante; bastava sua voz firme, ritmada,
e seu olhar generoso para que o Sertão se fizesse ouvir em toda a sua riqueza e
dignidade. Ele foi, acima de tudo, um guardião da nossa identidade, um homem
que traduziu Angicos e o Cabugi com a
autenticidade de quem viveu cada linha que escreveu.
Angicos chora a ausência física de uma de suas mentes mais culturais e populares, mas há um consolo que a literatura sempre nos dá: poetas como ele nunca morrem de verdade, apenas mudam de endereço. Enquanto aqui embaixo sentimos a falta da sua voz e da sua palavra amiga, do outro lado a história é outra. Os céus, com certeza, estão em festa, enfeitados para receber uma alma tão bonita. Que o eco de seus versos continue a ecoar pelo nosso sertão, inspirando novas gerações a amar a vida com a mesma pureza com que Seu Manoel Preto sempre a recitou.

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