
As estimativas apontam ainda para um dos episódios mais intensos do fenômeno do El Niño nas últimas décadas| Foto: Arquivo TN
O El Niño deve se intensificar nos próximos meses e atingir o pico entre novembro e dezembro de 2026, quando são esperadas as maiores anomalias de temperatura no Pacífico Equatorial. No Rio Grande do Norte, os efeitos ainda não foram observados diretamente, mas meteorologistas apontam possibilidade de redução das chuvas e aumento das temperaturas em 2027.
Conforme as projeções climáticas divulgadas por especialistas internacionais, o pico do El Niño deve ocorrer entre novembro e dezembro de 2026, período em que as águas do Oceano Pacífico Equatorial devem registrar as maiores anomalias de temperatura — diferenças em relação à média histórica.
As estimativas apontam ainda para um dos episódios mais intensos do fenômeno nas últimas décadas.
“Eu nunca tinha visto uma área do Oceano Pacífico tão aquecida como esse ano, nem em 2015 e 2016, que foi até então o maior El Niño da história”, afirmou Bristot.
Apesar da magnitude do El Niño, Bristot afirma que os efeitos ainda não são percebidos diretamente no Rio Grande do Norte.
Segundo ele, o estado tem registrado chuvas pontuais no litoral e no interior, enquanto a circulação de ventos tem impedido um aumento mais significativo das temperaturas e o represamento da umidade.
O meteorologista explica que, normalmente, o fenômeno provoca bloqueios que dificultam determinadas condições de chuva no Nordeste, mas esse comportamento ainda não foi observado no estado.
Bristot avalia que o cenário dos próximos meses dependerá também das condições do Oceano Atlântico. “Caso determinadas áreas do Atlântico apresentem aquecimento, os efeitos do El Niño sobre o período chuvoso de 2027 podem ser diferentes do esperado”, comenta.
Por enquanto, as temperaturas um pouco mais elevadas registradas no estado estão dentro do comportamento esperado para outubro, enquanto as chuvas observadas fogem do padrão que seria esperado para um El Niño de forte magnitude.
“Vai ter intensificação [do El Niño] nos próximos meses, mas existe a possibilidade de, ainda no pico, a gente não sentir”, destaca Bristot.
Para o meteorologista Cristiano Prestrelo, a intensidade que o El Niño poderá alcançar não deve ser o único parâmetro utilizado para avaliar os possíveis impactos no RN.
O período entre novembro e dezembro é importante para a confirmação do comportamento do fenômeno e para as projeções sobre as estações chuvosas no país, segundo ele.
“Não há garantias de que a intensidade do fenômeno El Niño possa produzir impactos na mesma magnitude”, afirma Prestrelo.
De acordo com o meteorologista, a previsão atual para a estação chuvosa de 2027 no Rio Grande do Norte indica chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média.
“Não devemos nos preparar para um El Niño de intensidade X ou Y. Devemos nos preparar para a ocorrência de um El Niño que historicamente pode dificultar a ocorrência de chuva no Rio Grande do Norte e produzir aumento de temperatura”, destaca.
Cristiano Prestrelo considera que os impactos do fenômeno na região costumam ser sentidos principalmente durante o outono, entre março e maio, período que coincide com a estação chuvosa do estado.
RN tem 14 reservatórios abaixo de 10% da capacidade
Dos 69 reservatórios monitorados pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (IGARN), 14 armazenam menos de 10% da capacidade total. Os dados, atualizados na terça-feira (6), revelam diferenças entre os mananciais do Estado, com alguns em situação crítica e outros próximos de atingir a capacidade máxima.
Os menores percentuais são registrados na Passagem das Traíras, em São José do Seridó, com 0,03% da capacidade; no Dourado, em Currais Novos, com 0,11%; e no Itans, em Caicó, com 0,36%. Outros 11 reservatórios também estão abaixo de 10%, principalmente em municípios do Seridó e do Alto Oeste.
Tribuna do Norte