O momento escolhido para o anúncio também chamou
atenção nos bastidores. Ezequiel aguardou a proximidade do período em que a
legislação eleitoral impõe restrições às demissões de servidores públicos, o
que torna mais difícil a exoneração de ocupantes de cargos comissionados por
motivação política. A regra está
prevista no artigo 73, inciso V, da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições),
que proíbe, nos três meses que antecedem o pleito até a posse dos eleitos,
nomeações, exonerações e outras movimentações de servidores, ressalvadas as
exceções previstas na própria lei, como demissão por justa causa ou situações
expressamente autorizadas. O objetivo é impedir o uso da máquina pública para
influenciar o processo eleitoral.
Na prática, o esperto Ezequiel demonstrou experiência política ao esperar o momento mais conveniente para tornar pública sua decisão. É difícil não enxergar estratégia nesse movimento: ao retardar o anúncio até um período em que eventuais retaliações administrativas ficam mais limitadas pela legislação, o presidente da Assembleia preserva aliados e reduz os riscos políticos para seu grupo. No jogo eleitoral, timing costuma valer tanto quanto força política, e Ezequiel mostrou que conhece bem as regras desse tabuleiro.

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