Angicos e outros municípios da Região Central do Rio Grande do Norte estão entre as 123 cidades incluídas pelo Governo do Estado no decreto de situação de emergência em razão da estiagem prolongada. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado no sábado (26) e passa a vigorar nesta segunda-feira (28), com validade de 180 dias, podendo ser prorrogada.
Além de Angicos, a lista inclui outros municípios da região, como Fernando Pedroza, Lajes, Pedra Preta, Pedro Avelino, Santana do Matos, São Rafael, São Tomé e Triunfo Potiguar, entre outros.
Por que Angicos entrou na lista?
A declaração de emergência está relacionada principalmente à redução das chuvas e das reservas de água, resultado de um período prolongado de estiagem no estado.
Dados da Emparn utilizados pelo Governo apontam que, entre março e agosto de 2026, o Rio Grande do Norte registrou 596,9 milímetros de chuva, enquanto eram esperados 640,3 milímetros para o período — um déficit de 6,8%.
A situação é ainda mais preocupante na Região Central, que apresentou o maior déficit de chuvas do estado no período: 18,7% abaixo da média. Em agosto, todas as regiões potiguares registraram precipitações inferiores ao esperado, com déficit estadual de 55%.
Impacto no abastecimento
O problema não está apenas na quantidade de chuva. A estiagem prolongada também vem provocando redução gradual das reservas hídricas, aumentando a pressão sobre o abastecimento de água e sobre as atividades rurais.
O decreto considera ainda dados do Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que apontam a permanência de municípios potiguares afetados por diferentes níveis de seca.
Atualmente, 77 dos 167 municípios do RN possuem áreas rurais atendidas pela Operação Carro-Pipa, executada pelo Exército Brasileiro. A declaração de emergência também busca possibilitar o reconhecimento federal da situação, medida importante para evitar a interrupção do abastecimento emergencial nas localidades afetadas.
O que muda com o decreto?
Durante os 180 dias de vigência, o Estado poderá adotar medidas emergenciais para reduzir os efeitos da estiagem, incluindo a contratação de obras e serviços por dispensa de licitação, dentro das regras estabelecidas pela legislação federal.
A Defesa Civil Estadual também poderá auxiliar os municípios na documentação necessária para buscar o reconhecimento federal da situação de emergência e, consequentemente, o acesso a medidas de apoio.
Para Angicos e demais municípios da Região Central, a inclusão no decreto representa o reconhecimento oficial de que a redução das chuvas e das reservas hídricas já configura um cenário que exige medidas emergenciais de prevenção e enfrentamento aos efeitos da seca