O índice de 84,6% de endividamento em Natal supera a média nacional, estimada em 70%, e é superior ao registrado, por exemplo, em Recife (80,9%). O índice potiguar também se aproxima dos patamares observados no Ceará, onde 89% das famílias relataram ter dívidas a vencer (cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa).
De acordo com o presidente do IFD, Rodrigo de Abreu, em Natal o risco econômico imediato é a perda de poder de compra. “Quando vai ao mercado, a família opta por produtos mais baratos ou, no limite; elimina certos itens da lista de compras, como a carne bovina”, disse.
Segundo o presidente, há dois fatores decisivos em Natal: em primeiro lugar, como a renda média é menor do que a média nacional, as famílias precisam mais de crédito para fechar as contas do mês. “Ao lado disso, como há muita informalidade no mercado de trabalho, o crédito é ainda mais caro”, comentou.
Para Rodrigo de Abreu, programas de renegociação de dívidas como o Desenrola 2.0, lançado recentemente pelo governo federal, ajudam a aliviar o endividamento das famílias, mas não resolvem o problema. “Aliviam o endividamento, mas são somente um paliativo. O melhor exemplo disso é o próprio Desenrola 1.0, que veio, foi bom, mas não resolveu o problema”, afirmou.
De acordo com o especialista, fatores como juros elevados, inflação persistente, alta informalidade no mercado de trabalho e o avanço das apostas online contribuem para manter o orçamento das famílias pressionado.
Segundo o IFD, o cartão de crédito é hoje o principal sinal do desequilíbrio financeiro das famílias. Dados do Banco Central apontam que os juros médios do cartão de crédito chegam a 15% ao mês. “Basta deixar de pagar uma ou duas faturas do cartão para que já haja sérios riscos de a dívida virar uma bola de neve”, afirmou o presidente do instituto.
Aumento da inadimplência
O economista Arthur Néo revela que o alto índice de famílias endividadas em Natal pode aumentar a inadimplência nos próximos meses. “As pessoas estão pegando crédito a longo prazo e, como o custo de vida está cada vez ficando mais elevado, gera inadimplência”, explica.
Na avaliação dele, o avanço do endividamento está ligado ao aumento do custo de vida e ao acesso facilitado ao crédito. Segundo o especialista, a inflação e fatores externos pressionaram os preços dos produtos e serviços, levando as famílias a recorrerem mais ao cartão de crédito e ao cheque especial para equilibrar o orçamento.
“O crédito no Brasil é muito caro. O cartão de crédito cobra, em média, 15% de juros ao mês. Se a pessoa passa três ou quatro meses pagando apenas a fatura mínima, depois fica praticamente impossível reorganizar as contas”, afirmou.
O economista também avalia que o comprometimento da renda reduz a capacidade de consumo e de obtenção de novos financiamentos. Com parte significativa da renda destinada ao pagamento de dívidas, famílias e empresas tendem a reduzir gastos e investimentos. “Menos dinheiro circula na economia. Isso afeta o comércio, os serviços e até a capacidade das empresas de investir em novos produtos ou ampliar os negócios”, disse.
Tribuna do Norte
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Reflita, analise e comente