A medida, que entra em sua fase definitiva a partir de 1º de agosto, busca reduzir a dependência da gasolina importada, ampliar o uso de biocombustíveis nacionais e minimizar os impactos da alta do petróleo sobre os preços dos combustíveis.
“Quando houve a mudança de 27% para 30% o etanol anidro subiu bastante, e não sentimos praticamente nenhum impacto nos preços”, lembra o presidente do Sindipostos-RN, que também comenta sobre os impactos no desempenho ou no consumo dos veículos.
“Segundo os especialistas do setor automotivo, o etanol possui um poder energético (densidade calorífica) cerca de 30% menor do que a gasolina pura. Portanto, quanto mais etanol na mistura, mais combustível o motor precisa queimar para gerar a mesma energia”, afirma.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia estima que a nova regra vai aumentar a demanda por etanol em cerca de 1 bilhão de litros por ano. A expectativa da entidade é que a maior participação do álcool ajude a reduzir o preço final da gasolina em cerca de R$ 0,03 por litro na bomba.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reclama da falta de estudos mais aprofundados sobre esse percentual fixo de 32%. A entidade alerta que, devido às margens normais de erro na distribuição, o combustível pode chegar aos postos com até 34% de etanol, o que traz riscos de desgaste precoce para motores.
“A Anfavea reafirma que a adoção do E32 deveria ter sido precedida por novos estudos específicos, capazes de comprovar a compatibilidade da mistura com a frota em circulação e de assegurar a segurança técnica e a proteção do consumidor brasileiro”, destaca em nota.
O economista Helder Cavalcanti explica que, diante da alta global do preço do barril de petróleo, elevar o teor de etanol atua apenas como um paliativo. “Em um mercado competitivo, mas com custos elevados de logística, pequenas reduções acabam sendo utilizadas para recompor margens ou compensar aumentos anteriores, em vez de serem integralmente repassadas ao consumidor. Por isso, a percepção na bomba costuma ser muito menor do que a anunciada oficialmente”, pontua.
O economista destaca ainda que, sob a ótica da educação financeira, o consumidor deve avaliar o custo por quilômetro rodado, e não apenas o preço do litro. “O etanol possui menor poder energético que a gasolina, o que reduz ligeiramente a autonomia do veículo. Para um motorista que abastece cerca de 200 litros por mês, a economia seria de aproximadamente R$ 6 mensais, valor que pode ser facilmente neutralizado […] Por isso, a economia real dependerá do comportamento efetivo do veículo e da evolução dos preços nas próximas semanas”, conclui.
Motoristas temem danos aos veículos
Para muitos motoristas, o aumento do etanol na gasolina disfarça uma perda de rendimento do motor que acaba anulando qualquer vantagem financeira, já que o carro passa a gastar mais para rodar a mesma distância. Além disso, alguns temem danos mecânicos. É o caso de Felipe César dos Santos, de 45 anos, que trabalha há um ano como motorista de aplicativo e costuma abastecer com gasolina comum.
“Eu acho que os carros não são projetados para ter essa quantidade de etanol. Hoje, com um litro de gasolina em Natal eu faço 10 quilômetros por litro. Quando aumentar a quantidade de etanol, a tendência é diminuir [a gasolina]. Vai afetar também o bolso da gente”, pontua Felipe.
O policial André Senna, de 45 anos, possui uma moto e um carro. Ele utiliza os veículos em dias alternados e faz uso da motocicleta como forma de economia. Para ele, o aumento vai prejudicar os veículos. “Quanto mais alta a concentração de etanol, mais o consumo do carro aumenta”, finaliza.
Tribuna do Norte