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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

MP investiga servidores e empresário suspeitos de manipular fila de consultas e exames no RN



O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta segunda-feira (26) a operação Camarote SUS, que investiga fraudes e manipulações nas listas de agendamento de consultas e exames da rede pública de saúde.

A investigação apura a atuação de dois servidores públicos, um empresário e uma empresa de assessoria em saúde. Os nomes dos envolvidos e da empresa não foram divulgados, assim como os cargos ocupados pelos servidores e os órgãos em que trabalham.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Natal, Extremoz, Santana do Matos e Parnamirim. A operação contou com apoio da Polícia Militar e mobilizou quatro promotores de Justiça, dez servidores do MPRN e 16 policiais. Durante a ação, foram apreendidos celulares, computadores e documentos.

Como funcionava o esquema


Segundo o MPRN, o esquema teria começado em 29 de agosto de 2022. Os investigados teriam utilizado dados de um paciente real para criar um usuário falso no sistema informatizado de saúde, com permissões para aprovar procedimentos, cancelar agendamentos e controlar vagas de atendimento.

A investigação aponta que o grupo realizava marcações simuladas para bloquear vagas por até sete dias. Após esse período, os agendamentos eram cancelados e os atendimentos transferidos para pessoas previamente selecionadas, desrespeitando a ordem oficial da fila de espera.

Os investigados também teriam utilizado programas de automação para agendar e bloquear dezenas de horários em poucos minutos. O Ministério Público apura ainda a suspeita de transferências bancárias para garantir marcações indevidas e direcionar cotas públicas de saúde a clientes específicos.

De acordo com o órgão, o usuário falso acumulou pelo menos 578 agendamentos e autorizações de atendimentodurante o período investigado.

Acessos ocorreram em repartições públicas

Relatórios de rastreamento digital apontaram que o perfil clandestino era acessado por computadores de repartições públicas, residências e da sede da empresa investigada.

O MPRN também suspeita que os envolvidos tenham apagado arquivos e cancelado o usuário falso para ocultar provas.

Os investigados são suspeitos de crimes como inserção de dados falsos em sistema, modificação indevida de programa, corrupção, desvio de cotas públicas, ocultação de bens e associação criminosa.

Todo o material apreendido será analisado pelos setores técnicos do Ministério Público.


G1RN