Cleves partiu como quem termina um dia de
trabalho, deixando no ar o cheiro doce da sua presença.
Em Angicos, não havia esquina que não guardasse um pedaço da sua história.
Era figura certa, sorriso aberto, palavra simples e coração grande, risonho e brincalhão.
Carregava consigo mais que produtos — levava afeto em cada entrega.
O homem do sonho de noiva e da cocada de leite
virou memória viva.
Memória dessas que não se apagam com o tempo, só se espalham.
Andava a cidade de ponta a ponta, como quem abraça cada rua.
E, sem perceber, adoçava mais que o paladar: adoçava a vida.
Hoje, o silêncio parece diferente, mais
pesado, mais sentido.
Falta o passo apressado, a voz conhecida, o jeito humilde.
Falta o Cleves que fazia do simples algo especial.
Mas quem parte assim, não vai por completo.
Fica nos portões, nas calçadas, nas conversas lembradas.
Fica no gosto da cocada e no riso que ele deixava.
E fica, sobretudo, na saudade que agora mora em cada um de nós.
“Sonho de noiva, cocada, hoje o
flamengo vai ganhar de virada”.

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