O estudo busca entender de
onde veio o raio cósmico, já que esse tipo de partícula é raro e pode ajudar
pesquisadores a explicar como o Universo acelera matéria a níveis
extremos de energia. A análise mais recente indica que a origem da Amaterasu
pode não estar na região do espaço inicialmente considerada como ponto de
partida. Os resultados da pesquisa foram publicados em 28 de janeiro no
periódico The Astrophysical Journal.
Origem pode estar fora do chamado “Vazio Local”
A Amaterasu é um exemplo de raio cósmico, partículas carregadas que viajam pelo espaço quase na velocidade da luz. Ela é considerada o segundo raio cósmico mais energético já detectado na Terra, atrás apenas da chamada partícula “Oh-My-God”, observada em 1991. A energia registrada foi cerca de 40 milhões de vezes maior do que a alcançada pelo Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o maior acelerador de partículas do mundo.
Um dos fatores que mais
intrigou os cientistas é que a partícula parecia ter vindo do chamado Vazio
Local, uma região do espaço praticamente sem galáxias e sem os ambientes
extremos normalmente associados à produção de raios cósmicos de alta energia.
Esses eventos costumam estar ligados a explosões de supernovas ou às regiões
centrais de galáxias dominadas por buracos negros supermassivos.
Pesquisadoras do Instituto Max
Planck de Física, Francesca Capel e Nadine Bourriche, analisaram novamente o
trajeto da partícula e sugerem que sua origem pode estar fora dessa região.
Segundo Bourriche, os resultados apontam que a Amaterasu pode ter sido gerada
em uma galáxia próxima com formação estelar, como a M82.
A equipe aplicou uma abordagem
baseada em dados para reconstruir o possível percurso do raio cósmico pelo
espaço. O método considera a influência de campos magnéticos na trajetória e
utiliza uma técnica estatística tridimensional chamada Approximate
Bayesian Computation.
De acordo com as
pesquisadoras, a técnica compara simulações físicas realistas com dados
observacionais para identificar os locais de origem mais prováveis. Como
resultado, o estudo produziu mapas de probabilidade que indicam pontos de
origem além do Vazio Local.
Os pesquisadores afirmam que o
trabalho pode contribuir não apenas para entender a Amaterasu, mas também para
identificar quais eventos cósmicos extremos funcionam como “fábricas” de raios
cósmicos de altíssima energia. Segundo Capel, o estudo desses fenômenos
ajuda a compreender como o Universo consegue acelerar matéria a níveis tão
elevados.
Olhar Digital
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