A Secretaria Municipal do
Trabalho e Assistência Social (SEMTAS) de Natal estuda expandir a Feira da
Agricultura Familiar, realizada semanalmente nos bairros de Petrópolis e Capim
Macio. De acordo com a pasta, a iniciativa deve ser implementada gradualmente e
está sendo avaliada considerando a capacidade produtiva dos agricultores, a
demanda da população e aspectos logísticos. Não foi informada uma data para o
início da ampliação.
Atualmente, a feira é
realizada às quartas-feiras em Capim Macio e nas sextas-feiras no bairro de
Petrópolis. O movimento começa ainda na madrugada, com os agricultores montando
as bancas para comercializar seus produtos, e finaliza por volta das 8h. De acordo
com relato de agricultores à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, colhidos no ponto
da zona Sul da capital, a procura pelos produtos tem sido cada vez mais
motivada pela busca por alimentos mais naturais.
A agricultora Sheila Lima trabalha na feira há mais de 10 anos com a venda de temperos. Moradora de Extremoz, na Grande Natal, ela compartilha ganhar toda a renda mensal das vendas na feira. Dependendo do movimento, o faturamento da comerciante oscila entre R$ 150 e R$ 200. Apesar do sucesso no trabalho, defende uma maior valorização dos agricultores locais: “Acho que os incentivos devem vir dos nossos representantes mesmo. Saímos de madrugada de casa, pois a vida do agricultor é árdua”.
O potiguar Flávio Costa, de 42
anos, também atua na Feira Agricultura Familiar há mais de uma década. Começou
montando sua banca em Petrópolis, em 2014, e depois também passou a
comercializar seus produtos em Capim Macio. Atualmente, seu faturamento mensal
varia entre um salário mínimo a R$ 2 mil.
O agricultor cultiva a maior
parte dos produtos que vende, mas também leva para a feira mercadorias que
compra com outros agricultores familiares. Para ele, o que mantém a procura dos
consumidores, mesmo diante de baixas nas vendas em alguns períodos, é a
qualidade dos produtos. “Os produtos tem qualidade e são naturais. Então os
clientes têm acesso a isso por um preço acessível”, completa.
A dona de casa Daniele Araújo,
de 43 anos, não abre mão de comprar frutas e outros produtos orgânicos na Feira
e confirma o relato dos agricultores. Para ela, que já conhece cada banca e
frequenta o local há cerca de 12 anos, o principal diferencial está na
qualidade dos produtos. “Eu acho maravilhoso e os preços são bons, comparando
aos supermercados. Tanto os produtos quanto os valores”, aponta.
Impactos positivos
Atualmente, cerca de 30 agricultores atuam na Feira da Agricultura Familiar em
Natal. Segundo a Semtas, há uma expectativa de ampliação desse número ao longo
do ano, mas sem uma definição concreta. Isso porque o processo depende de
avaliações técnicas contínuas, da capacidade produtiva dos agricultores e da
expansão dos pontos de realização da feira.
De acordo com a pasta, a seleção ocorre de forma contínua
ao longo do ano, integrando a política permanente de segurança alimentar e
nutricional do município.“A seleção dos agricultores é realizada a partir de
critérios técnicos definidos pela SEMTAS, priorizando agricultores familiares,
produtores que atendam às exigências sanitárias. Também são considerados
aspectos como diversidade de produtos, regularidade de oferta e compromisso com
práticas sustentáveis”, aponta.
O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais
Agricultores e Agricultoras Familiares do Rio Grande do Norte (Fetarn), Erivam
do Carmo, reconhece que a feira cria um espaço de comercialização direta e
valoriza a produção local. Ele defende, no entanto, que algumas melhorias podem
ser incentivadas .
“É possível avançar no estímulo aos agricultores e
agricultoras familiares por meio do fortalecimento da assistência técnica, da
ampliação do apoio logístico e da criação de mecanismos que garantam melhores
condições de comercialização, como acesso a crédito, apoio ao beneficiamento da
produção e ações de formação voltadas à gestão e à organização produtiva”,
aponta.
Tribuna do Norte
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