Depois de mais de uma década de vida, o Programa do Leite do governo estado pode estar sendo gradativamente desativado pelo atual governador, Iberê Ferreira [PSB]. O governo passou o ano inteiro falando sobre uma possível paralisação neste, e a coisa começou a se delinear a partir do resultado do pleito de 3 de outubro. A decisão da redução provoca um impacto negativo no principal pilar da economia do estado do RN. Agropecuaristas que já estavam enfrentando dificuldades devido a estiagem prolongada, agora terão que sofrer mais esse aperto.
Enquanto isso, as famílias contempladas que atualmente recebem diariamente cada uma, um litro ou mais de leite, agora terão a cota reduzida em um terço. A distribuição integral acontecia até o mês de setembro do corrente ano. O governador Iberê Ferreira de Souza, que já vinha ameaçando reduzir o programa, agora tomou a decisão, reduzindo para dois terços a sua capacidade original.
As famílias e população em geral, dependentes do leite, terão dificuldades em assimilar tal novidade, que já está sendo praticada e que está penalizando severamente milhares e milhares de famílias carentes.
Em Angicos, muita reclamação vem acontecendo, pois a população não entende direito porque isso está sendo feito.
Histórico
O programa foi reformulado na década de noventa, na gestão do então governador Garibaldi Alves Filho [PMDB]. Ele foi recriado com o intuito de combater o alto índice de mortalidade infantil e ao mesmo tempo, reativar a bacia leiteira do interior do estado, que estava em declinio, preocupando o governo, devido aos bolsões de pobreza extrema que estavam se alastrando.
O programa reduziu significativamente as carências nutricionais de famílias indigentes e de baixa renda, priorizou as crianças, gestantes, desnutridos, idosos e deficientes. Começou a ser distribuído, em 1995.
O Programa do Leite estimulou o fortalecimento de uma cadeia econômica que levou progresso para o interior do estado. Em poucos anos, pequenos pecuaristas e usineiros fizeram do leite um produto que garantiu o emprego e a subsistência de muitas famílias. Em sete anos, a quantidade de usinas quadruplicou em todo o estado.
O Governo compra o leite dos produtores, que repassa o produto para as usinas de beneficiamento. Estas usinas são contratadas para pasteurizar, embalar e distribuir o leite do Programa.
Depois de atrasos sucessivos e constantes durante todo o ano de 2010, a redução pegou de surpresa cerca de quinhentas mil pessoas que de forma direta ou indireta, dependem do programa.