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segunda-feira, 2 de março de 2026

Chuvas injetam 50,6 milhões de m³ nos reservatórios do RN; Açude Novo Angicos triplica volume após recarga


As chuvas dos últimos dias acrescentaram 50,6 milhões de metros cúbicos nos reservatórios públicos do Rio Grande do Norte, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (02) pelo Instituto de Gestão das Águas (IGARN). Como consequência, 36 dos 69 açudes e barragens monitorados pelos órgãos que cuidam da gestão dos recursos hídricos do RN apresentaram aumento no volume acumulado. É o caso das Oiticica, em Jucurutu e Dinamarca, em Serra Negra do Norte, e dos açudes Novo Angicos, Sossego, Pinga e outros de pequeno porte.

Segundo maior reservatório do Estado, inaugurada em março do ano passado, Oiticica estava com 138,8 milhões de metros cúbicos no dia 23 de fevereiro. A leitura realizada nesta segunda-feira (02), registrava 168,7 milhões.

 

A Dinamarca atingiu 100% da capacidade e começou a transbordar (processo popularmente conhecido como “sangria”) no domingo (1º). O reservatório tem capacidade total de 2,72 milhões de metros cúbicos. No relatório do dia 23 de fevereiro, acumulava apenas 226.088 m³, o equivalente a 8,3% da capacidade. O manancial é responsável pelo abastecimento do município.

“A mudança de cenário é radical”, comemorou o prefeito Acácio Brito, que na tarde desta segunda-feira acompanhava o trabalho dos técnicos do SAEE – Serviço Autônomo de Águas e Esgotos de Serra Negra – para restabelecer o sistema de abastecimento da cidade, feito por carros-pipa. As chuvas, explicou o prefeito, não encheram apenas o reservatório que abastece a cidade, mas as demais barragens de menor porte que ficam a jusante da Dinamarca. “Temos 28 quilômetros de calhas do rio (Espinharas) tomadas pelas águas. No mais tardar, amanhã, a rede [do SAAE, que leva água para a população da zona urbana] estará restabelecida.”

 

OUTROS RESERVATÓRIOS

 

O volume do açude Novo Angicos triplicou depois das últimas chuvas registradas na região de Angicos. Está agora com 2,1 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 50,2% da capacidade de armazenamento. O “Sossego”, passou de 259 mil para 1 milhão de metros cúbicos (44%).  O Japi II também recebeu água das chuvas e está com 8,9 milhões (43,5%). O Açude Pinga, em Cerro Corá, acumulava 26,2% da capacidade, que é de 3,9 milhões. Com a recarga que recebeu, está agora com 74,1%.

 

As três outras grandes barragens estão assim: Armando Ribeiro (1 bilhão m³, 42,1%), Santa Cruz do Apodi (321 milhões, 53,5%) e Umari (148,7 milhões, 50,7%). Localizada em Upanema, Umari é usada como ponto de captação de água por carros-pipas que abastecem municípios em dificuldades durante períodos de seca.

 

No domingo (1º), a barragem que fica no topo da Serra do Lima e que dá suporte ao Santuário de Deus Pai Todo Poderoso, em Patu, também transbordou. Os dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) mostram que o acumulado de chuvas em fevereiro, em Patu, foi de 339, 4 milímetros. É o fevereiro mais chuvoso do século 21.

 

INVERNO 2026

 

Na manhã desta segunda-feira, a Unidade Instrumental de Meteorologia da Emparn divulgou a previsão pluviométrica para os meses de março, abril e maio. Segundo o boletim climático, se nas próximas semanas persistir a tendência que vem sendo registrada de aquecimento no Atlântico Sul e resfriamento no Atlântico Norte, e condição de La Niña fraca no oceano Pacífico, o trimestre deverá apresentar chuva na condição de normalidade.

 

Março é um dos meses que mais chove no Rio Grande do Norte. Este ano, março deverá apresentar chuvas dentro do padrão normal, variando entre índices acima de 100 mm, na região Agreste, até valores superiores a 200 mm, no Alto Oeste. As chuvas nesse período são provenientes do sistema Meteorológico Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

 

Assim como março, o mês de abril é um dos mais chuvosos no interior do Estado. A previsão para o período é de chuvas dentro do padrão normal, variando entre índices acima de 100 mm, no Agreste, até valores superiores a 200 mm no Alto Oeste. Essas precipitações também decorrem do sistema ZCIT.

 

O mês de maio é o último mês do período chuvoso das regiões Oeste e Central. As chuvas devem apresentar uma diminuição nos índices registrados, pois o sistema Meteorológico Zona de Convergência Intertropical começa a se deslocar para o hemisfério Norte, dando espaço para as instabilidades de Leste, que atingem as regiões Leste e Agreste do Rio Grande do Norte.

 

Para este ano, o mês de abril também deverá apresentar chuvas dentro do padrão normal, variando entre índices acima de 80 mm, na região Agreste; de 50 mm a 80 mm no Seridó; 80 mm a 100 mm na região Oeste; até valores superiores a 200 mm no Leste.

 

Segundo o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, devido ao comportamento termodinâmico dos oceanos, com fenômeno La Niña numa intensidade fraca, em atividade no Pacífico e Atlântico Norte um pouco mais aquecido que o Atlântico Sul, as chuvas máximas esperadas, entre os meses de março e maio, em cada mesorregião e para o Estado como um todo, estão apresentadas abaixo.

 

VOLUMES DE CHUVAS PREVISTAS

 

Por mesorregião – em milímetros

 

OESTE

Março: 197,5

 

Abril: 180,2

 

Maio: 101,4

 

 

CENTRAL

Março: 155,1

 

Abril: 150,2

 

Maio: 71,5


 

AGRESTE

Março: 119,2

 

Abril: 133,0

 

Maio: 91,0

 

 

LESTE

 

Março: 166,9

 

Abril: 195,8

 

Maio: 171,1

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