O dólar iniciou 2017 sem
forças e semana a semana vem perdendo valor, levando muita gente a pensar se,
na atual cotação, já não dá para pensar novamente nas férias no exterior ou em
compras extras na passada por algum freeshop. A dúvida mais constante, no entanto,
é em relação ao melhor momento para se fazer a compra da moeda estrangeira:
agora ou esperar para ver se cai mais?
Entre economistas e
especialistas em educação financeira, a dica é comprar uma parte dos recursos
para a viagem. Se a cotação subir, uma parcela considerável da despesa já
estará garantida. Se cair, o preço médio ficará menor que o esperado. Mas
analistas destacam que a compra de dólar é recomendável para quem já sabe que
terá alguma despesa na moeda estrangeira, como uma viagem ou compra no exterior.
Aplicações em câmbio em geral têm alto grau de risco e não são indicadas para
investidores mais conservadores.
Na semana passada, o dólar
bateu os R$ 3,10 por duas vezes. Na sexta, a cotação era de R$ 3,124, o que
representa uma queda de 4,61% no acumulado do ano. Parece pouco, mas se ao
planejar um intercâmbio no exterior ou uma viagem em família você descobre que
precisará de US$ 10 mil, a desvalorização do dólar ocorrida até aqui vai
significar uma economia de R$ 1.500 — o desembolso final nesse caso hipotético
sairia de R$ 32.740 para R$ 31.240.
Moeda americana vem perdendo
fôlego
Esse recuo ocorre por uma
série de razões: entrada de recursos no país, a perspectiva de recuperação da
economia e um cenário externo mais favorável. Trocando em miúdos, significa que
mais investidores estão trazendo dólares para trocar por reais. Quanto maior a
oferta de um produto, menor tende a ser o preço dele, e com isso há uma
desvalorização da moeda americana.
Carlos Eduardo Costa, consultor
de educação financeira do banco Mercantil do Brasil, lembra que a regra geral
ao se planejar um gasto no exterior é fazer a compra aos poucos. No entanto,
como a queda no ano já está significativa e há vários fatores que podem fazer
com que a tendência de queda se reverta, a sugestão é tentar antecipar um pouco
a compra, mas sempre obedecendo ao que o seu orçamento permite.
— Se houver sobras no
orçamento, é bom aproveitar o dólar mais baixo. A cotação pode até cair, mas
você elimina o risco da alta. Para quem tem mais tempo para planejar a viagem e
ainda não dispõe dessa folga de recursos, pode ir comprando aos poucos —
explicou.
No cartão. Para Costa, cliente
deve consultar banco sobre data da conversão - Fred Carvalho/Divulgação / Fred
Carvalho/Divulgação
Uma outra recomendação é
evitar os gastos no cartão, para que o planejamento da viagem não saia do
controle. Isso porque, em geral, a conversão do dólar (ou outra moeda
estrangeira) para o real se dá só no fechamento da fatura, o espaço de algumas
semanas pode fazer a cotação subir — e aí o que você achou que tinha comprado
barato, já pode não sair tão em conta assim.
Se o gasto no cartão for
indispensável, a recomendação é checar com o emissor do plástico (em geral,
bancos) se eles já oferecem a opção de “travar” a cotação no momento da compra
em moeda estrangeira, o que inclui também gastos em sites de compras
internacionais. No fim de novembro, o Banco Central publicou uma circular
permitindo que os emissores oferecessem essa alternativa aos clientes, mas são
poucos os casos em que a opção já está disponível.
— Entre a compra e a quitação,
o dólar pode sofrer uma alteração. Se o banco oferece essa alternativa, é
melhor aceitar e garantir o valor em reais. Nossos rendimentos são em reais —
disse Costa.
O temor de uma alta intensa do
dólar não é injustificado. De fato há um fluxo de dólares positivo para o
Brasil, mas pode ocorrer uma reversão. Do lado externo, o maior temor em
relação a medidas que podem ser tomadas pelo governo do presidente americano
Donald Trump. Suas declarações e de sua equipe têm causado forte volatilidade
no mercado de câmbio.
RISCO DE REVERSÃO DE TENDÊNCIA
Há o temor que uma expansão
fiscal nos EUA com o objetivo de acelerar a economia gere inflação e faça com
que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) eleve os juros, que hoje
estão entre 0,50% e 0,75% ao ano. Isso poderá fazer com que investidores que
têm dinheiro aplicado em mercados emergentes, como o Brasil, migrem suas
aplicações para os títulos americanos. E menos dólares aqui — ou a expectativa
que isso ocorra — fará a cotação da moeda americana frente ao real subir.
— Essa tendência de queda pode
se reverter rapidamente. Além do Trump, há temas polêmicos para serem
discutidos no Congresso que podem colocar em risco a recuperação da economia —
avaliou Reginal Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.
O dólar vem em queda desde o
ano passado — em 12 meses o recuo é de mais de 18% — e por isso o risco de uma
correção, segundo Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos. O mercado
de trabalho mais forte nos Estados Unidos, com mais pessoas trabalhando e
salários em alta, é outro fator que pode causar inflação e fazer o Fed agir
mais rapidamente.
— Esse movimento de queda pode
ser mais transitório. A médio e longo prazo, a tendência é de alta, avaliou.
O boletim Focus, do Banco
Central, mostra que, em média, os economistas preveem que o dólar chegará a R$
3,40 no final do ano.
O Globo

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