terça-feira, 24 de novembro de 2020

Com uso de meia dose, vacina de Oxford vai ‘render’ mais e pode imunizar mais 3 milhões em primeiro lote no Brasil

A descoberta de que uma dose e meia da vacina de Oxford garante uma proteção de 90% contra a covid-19 significa também uma economia para os países que vão utilizar o imunizante, como é o caso do Brasil.

 

A mudança no esquema de vacinação pode garantir que o Brasil imunize 3 milhões a mais do que o inicialmente previsto. Com isso, cerca de 20,2 milhões poderão ser imunizados com o primeiro lote a ser recebido pelo país.

Por um acaso, os pesquisadores da ChAdOx1, nome dado à vacina, vacinaram erroneamente uma parte dos voluntários com apenas meia dose na primeira aplicação.

 

Os coordenadores do estudo decidiram continuar com esse protocolo de vacinação no grupo, mas mantiveram a segunda dose completa.

 

Quando os dados foram analisados, perceberam que esse esquema era o que garantia a proteção em torno de 90%, contra 62% de quem recebeu as duas doses completas.

 

Os resultados são positivos também para políticas públicas de imunização e diminuição dos custos.

 

Com o esquema de duas doses completas, seriam necessárias 20 doses para imunizar dez pessoas.

 

A aplicação de 1,5 dose por pessoa garante que as mesmas 20 doses sejam usadas para vacinar 13 indivíduos.

 

O governo brasileiro, por meio da Fiocruz, fechou um acordo com a farmacêutica AstraZeneca, detentora dos direitos comerciais da ChAdOx1, para a produção de mais de 100 milhões de doses até o segundo semestre do ano que vem.

 

As primeiras 30,4 milhões de doses devem estar disponíveis para uso no SUS já no começo de 2021, segundo anúncio feito pelo governo em agosto.

 

Sendo assim, o que poderia imunizar 17,2 milhões de brasileiros em um primeiro momento servirá para 20,2 milhões.

 

O professor Andrew Pollard, investigador chefe do estudo da vacina de Oxford, comemorou os resultados.

 

“Como podemos usar meia dose e obter maior proteção, temos mais doses disponíveis para vacinar as pessoas e seremos capazes de fazer a cobertura [vacinal] mais cedo.”

 

Parte dos resultados da pesquisa de Oxford já está sendo analisada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por meio de um processo criado para agilizar os pedidos de registro de vacinas contra a covid-19.

 

Os dados finais serão encaminhados para o órgão regulador nas próximas semanas para que a agência possa deferir o registro.

 

R7

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