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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Relatório aponta a possibilidade de presos em Alcaçuz estarem de posse de armas de fogo

Relatório elaborado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChoque) datado do dia 12 de maio e divulgado nesta sexta-feira, 5, pelo portal G1 RN traz 12 advertências quanto às condições de segurança da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta.

Dentre elas, está a possibilidade dos detentos da unidade prisional estarem com armas de fogo e de que mais de 900 apenados permanecerem soltos dentro de seus respectivos pavilhões. Este alto número de presos nesta condição só aumenta a velocidade e agilidade dos detentos na escavação dos túneis e a possibilidade de ocorrências de fugas.

Segundo o portal, o relatório foi entregue à Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) durante uma das reuniões do Conselho de Gestão Integrada e que o órgão não iria comentar o conteúdo por motivo de segurança pública.

Íntegra das 12 considerações enumeradas pelo BPChoque sobre a Penitenciária Estadual de Alcaçuz:
1 – Conforme apontados em relatórios de procedimentos anteriores, observamos que permanece a mesma precariedade da estrutura física do Pavilhão 1, onde encontra-se 259 apenados, e que todas as grades das celas foram retiradas, após terem sido arrancadas pelos internos durante as rebeliões, permanecendo estes soltos, possibilitando a escavação de túneis, com maior agilidade e rapidez durante as 24 horas do dia.

2 – Percebeu-se que a falta de vigilância nos pavilhões por parte dos agentes penitenciários, propiciam maior possibilidade e agilidade na escavação de túneis.

3 – A estrutura física do pavilhão, bem como a parte elétrica, hidráulica e esgotamento encontram-se comprometidos, ocasionando transbordo das águas servidas, gerando insalubridade, como mau cheiro, insetos, etc, propiciando um estímulo a fugas.

4 – Foi detectado anteriormente pelo BPChoque túneis no Pavilhão 2 e no Pavilhão 3 da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, e que os apenados dos referidos pavilhões encontram-se na mesma situação dos apenados do Pavilhão 1, soltos dentro do pavilhão, e com situação precária, conforme descrita nos itens 1 e 3 destas considerações.

5 – Reiteramos que necessário se faz com urgência a realização de reformas na estrutura física da referida unidade prisional, pois somente o emprego do BPChoque e do efetivo da Polícia Militar na guarda externa das unidades prisionais, apenas irá minimizar as fugas, pois estas poderão voltar a acontecer a qualquer momento por falta de local apropriado e seguro para manter encarcerados os apenados que lá se encontram. Fato este que corrobora com as últimas duas fugas do Pavilhão 2 da Penitenciária de Alcaçuz, onde evadiram-se da unidade em torno de 65 apenados no período da noite.

6 – Alertamos novamente que na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, praticamente toda a população carcerária em torno de 900 apenados encontra-se solta dentro de seus respectivos pavilhões, estes apenados poderão sair dos pavilhões a qualquer momento, pois, o único obstáculo que os mantem dentro dos pavilhões é um cadeado colocado no portão principal destes, o que compromete toda a segurança da unidade.

7 – Advertimos novamente que estando os apenados soltos nos pavilhões 2 e 3 estes facilmente da quadra ou solário, poderão subir no telhado e saírem, ou pegar funcionários e/ou autoridades como reféns, com o intuito de fugirem. Constatamos também, que a murada da quadra 1 foi construída com tijolos de oito furos, e que os apenados realizaram vários pequenos buracos neste, podendo os apenados a qualquer momento abrirem um buraco maior e saírem para a parte interna da unidade prisional.

8 – Comunicamos a vossa senhoria que informes da inteligência do sistema prisional sinalizam a existência de armas de fogo na posse de apenados da Penitenciária Estadual de Alcaçuz.

9 – Solicitamos cautela a moderação no emprego do efetivo do BPChoque, neste momento de caos no sistema prisional do Rio Grande do Norte, haja vista, a crise foi gerada por falta de vagas, de infraestrutura e superlotação das unidades prisionais, o nosso emprego deverá ser a última alternativa, pois na atual conjuntura, a utilização constante do nosso efetivo dentro dos presídios não solucionará os problemas existentes, e poderá trazer consequências de grande repercussão, em casos de resistência e confronto a entrada do efetivo nas unidades prisionais.

10 – Reiteramos a solicitação de que sejam disponibilizados para a nossa unidade especializada, viaturas com tração 4x4, para a realização de patrulhamento motorizado em áreas de dunas, pois nossas viaturas não são apropriadas para a utilização neste tipo de terreno, e que vem sendo uma problemática enfrentada pelo Batalhão. Registro que durante as duas últimas fugas que ocorreram na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, as buscas e as diligências foram prejudicadas pela ausência de viaturas com tração 4x4.

11 – Diante da grande demanda de emprego do BPChoque e efetivo de policiais militares em procedimentos nas unidades prisionais do estado, podemos mencionar que a Penitenciária Estadual de Alcaçuz se encontra no momento com a segurança comprometida tento por problemas na estrutura física quanto na custódia dos apenados, que se encontram todos soltos nos pavilhões. Desta feita, reiteramos que seja oficializado e debatido junto a Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania a possibilidade de construção da segunda área de contenção no entorno da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, a uma distância de 15 metros (15m) da murada, constituída de alambrado, com iluminação, e de torres de observação, aparelhadas com câmeras de vídeo monitoramento interligadas ao CIOSP – (para que a unidade possa ser monitorada por 24 horas, e na ocorrência de qualquer alteração ou fuga o CIOSP com maior rapidez acionará o apoio necessário. Também poderá ser uma ferramenta que auxiliará na fiscalização dos servidores, no esclarecimento de fugas e de outras ocorrências) e dispositivo de alarme sonoro (poderá alertar os servidores de plantão bem como a população circunvizinha da unidade prisional sobre ocorrências de fuga).

12 – Orientamos que seja comunicado a Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania – SEJUC da necessidade da retirada da areia colocada pelos apenados do Pavilhão 2 na laje do teto dor referido pavilhão. O que pode vir a ocasionar comprometimento das fundações e da laje do teto.


De Fato

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