Um dia após o Federal Reserve
(Fed, o banco central americano) manter estável a taxa de juros nos Estados
Unidos, as bolsas globais operam em forte queda repercutindo a maior
preocupação com o cenário econômico global. No Brasil, a Bolsa de Valores de
São Paulo (Bovespa) registra queda de 2,64% em seu índice Ibovespa, aos 47.271
pontos. Já o dólar comercial acelera a alta e vai renovando as máximas em 13
anos. Às 15h34, a moeda americana era negociada a R$ 3,935 na compra e a R$
3,937 na venda, alta de 1,39%. Na máxima, chegou a R$ 3,941, o maior valor
desde os R$ 3,98 do pregão do dia 22 de outubro de 2002.
A decisão do Fed de manter os
juros foi motivada pela piora do cenário econômico global. Esse preocupação
contribui para elevar a aversão ao risco nesta sexta-feira, afetando os
principais índices de ações. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, fechou em queda de
3,06%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, teve desvalorização de 2,56%. Já o FTSE
100, de Londres, recuou 1,34%. Nos Estados Unidos, O Dow Jones recua 1,51% e o
S&P 500 cai 1,06%.
— Há uma preocupação de que o
Fed veja algo que não estamos vendo nos dados econômicos. O dados da economia
americana estão fortes de uma forma geral. Há uma preocupação de que o Fed
pensei que eles não estão fortes o suficiente ou que o Fed pense que a economia
internacional, particularmente a situação da China, é muito pior do que nós
podemos ver — disse Eric Green, diretor de pesquisa na Penn Capital.
Em meio a esse cenário de
maior pessimismo, as ações de maior liquidez do Ibovespa operam em queda. Os
papéis da Petrobras (PNs, sem direito a voto) recuam 4,19%, a R$ 7,53, e os
ordinários (ONs, com direito a voto) 4,63%, a R$ 8,85, seguindo o movimento do
petróleo - o barril do tipo Brent tem queda de 2,95%, a US$ 47,63.
As ações do setor bancário,
que possuem o maior peso na composição do Ibovespa, também registram quedas. Os
papéis preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco recuam, respectivamente,
3,96% e 4,46%. No caso do Banco do Brasil, a queda é de 4,93%. A exceção são os
papéis da Vale, que passaram a operar em alta (0,25% nas PNs e 2% nas ONs).
O dólar registra forte
volatilidade nesta sexta-feira. Na mínima, a divisa chegou a atingir R$ 3,864
nos primeiros minutos de negociação, mas a pressão compradora ganhou força e a
moeda já chegou a R$ 3,920 na máxima. A alta no Brasil ocorre de forma mais
acentuada que em outros mercados. O "dollar index", que mede o
comportamento de dez moedas frente ao dólar, tem alta de 0,22%, segundo a
Bloomberg.
Segundo Cleber Alessie,
operador de câmbio da corretora H.Commcor, a expectativa negativa em relação à
aprovação das medidas do ajuste fiscal fazem com que o investidor busque
proteção no dólar, já esperando possível novos cortes da nota do Brasil nas
demais agências de classificação de risco. Na Fitch, o Brasil ainda está dois
níveis acima do nível especulativo e, na Moody’s, um. Na S&P o grau de
investimento foi retirado na semana passada.
— As dificuldades em termos do
ajuste fiscal pesam e fazem o dólar se fortalecer. O início de um processo,
mesmo que sem data para ser definido, da saída da presidente Dilma Rousseff
também aumenta a incerteza — afirmou.
Ricardo Gomes da Silva,
superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, concorda que as negociações
do governo para a aprovação das medidas de ajuste fiscal devem continuar a
pressionar a moeda.
Na quinta-feira, a cotação de
fechamento foi de R$ 3,883, alta de 1,25%.
O Globo

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