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Penitenciária Estadual de
Alcaçuz, maior unidade prisional do RN, registrou pelo menos três fugas desde
março deste ano (Foto: Canindé Soares/G1)
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O Governo do Rio Grande do Norte
irá editar um novo decreto de calamidade pública no Sistema Penitenciário. O
documento deverá ser publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) de amanhã,
mesmo dia em que o Decreto nº 25.017 assinado após as rebeliões que destruíram
16 unidades prisionais, terá sua validade expirada. De acordo a
secretária-chefe do Gabinete Civil, Tatiana Mendes Cunha, a edição de um novo
decreto reconhecendo a manutenção do estado de calamidade nas casas carcerárias
foi determinado pelo governador Robinson Faria. O chefe do Executivo atendeu ao
titular da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Sejuc), Edilson França,
que oficializou a necessidade da nova
decretação no dia 25 de agosto passado.
Por mais seis meses, período
de vigência do estado de calamidade, o Executivo Estadual tentará destravar a
liberação dos recursos federais teoricamente garantidos a partir da assinatura
de convênios com o Ministério da Justiça. O objetivo dos convênios é a melhoria
da realidade prisional local, mas a liberação do dinheiro é considerada muito
lenta. “A situação continua muito crítica. Vai ser prorrogado. Já está
decidido”, confirmou Tatiana Mendes Cunha. Ela comentou, ainda, “que a
realidade anterior à publicação do primeiro decreto não foi alterada”, por isso
a necessidade de uma nova decretação de estado de calamidade no sistema
prisional potiguar.
O consultor-geral do estado,
Eduardo Nobre, está trabalhando na revisão final dos critérios jurídicos que
embasarão a determinação do governador Robinson Faria. “Algumas poucas mudanças
serão feitas em relação ao anterior. Eu faço isso com a maior rapidez e
encaminho para o governador assinar”, comentou Eduardo Nobre. Conforme apontado
no Decreto Nº 25.017, de 16 de março deste ano, aproximadamente mil espaços
destinados aos presos foram destruídos nos Centros de Detenção Provisória, Penitenciárias
e Cadeias Públicas que se rebelaram de forma orquestrada há seis meses.
As reformas nas 16 unidades
prisionais destruídas ainda não foram concluídas. No Centro de Detenção
Provisória da Ribeira, em Natal, o cenário de destruição é o mesmo de seis
meses atrás. Nenhuma melhoria foi feita no local e, ainda assim, novos presos
chegaram semana passada. Um agente penitenciário compõe a escala de plantão
diariamente. Nas demais unidades as obras em execução, cujos gastos estão
estimados em R$ 15 milhões, não representam aumento de vagas e o reforço na
segurança é questionável. O valor de tais reformas, inclusive, deverá ser
superior ao investimento feito na construção na Cadeia Pública de Ceará-Mirim,
orçada em R$ 14,7 milhões, prevista para ficar pronta no fim de 2016 com 603
vagas.
A secretária-chefe do Gabinete
Civil do Governo do Estado, Tatiana Mendes Cunha, comentou que apesar de
continuar numa situação crítica, o Governo do Estado efetuou as reformas nas
unidades destruídas durante as rebeliões de março. Entretanto, não confirmou
se, novo decreto, estão previstas construções de novas unidades prisionais e
consequente ampliação do número de vagas no sistema prisional. “Embora não
tenhamos aberto novas vagas, recuperamos o que havia sido destruído”,
argumentou.
O titular da Sejuc, Edilson
França, tem sido procurado pela TRIBUNA DO NORTE há pelo menos vinte dias para
comentar a expiração do decreto editado em março passado e fazer um balanço das
ações desde então. Ontem, o secretário não atendeu nem mesmo Tatiana Mendes
Cunha, em contatos telefônicos efetuados no fim da manhã. Ela adiantou,
contudo, que Edilson França realizou recentemente uma viagem ao Estado de Minas
Gerais para conhecer o método desenvolvido na Associação de Proteção e
Assistência aos Condenados (Apac), que ressocializa presos e os encaminha para
o mercado de trabalho. No estado potiguar, só existe uma Apac, localizada em
Macau.
Tomada de Contas na Sesed
A Tomada de Contas Especial na
Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social foi determinada pelo
Pleno do Tribunal de Contas do Estado em março passado, após requerimento do
procurador-geral do MPjTCE, Luciano Ramos, que apontou o risco do Estado perder
R$ 43,6 milhões em recursos destinados ao Sistema Prisional por não execução
dos contratos. A monta está dividida em, pelo menos, treze convênios cujo prazo
para execução vence entre os meses de junho e dezembro deste ano e incluem,
desde o fortalecimento do Centro de Inteligência e implementação de Núcleos de
Inteligência à ampliação de vagas no sistema.
A construção de uma penitenciária com 603 vagas, em Ceará-Mirim,
financiada pelo Depen corria o risco de ser excluída do Programa. As obras,
apesar de terem sido iniciadas nos últimos dias do prazo, pouco avançaram até
hoje. A Tomada de Contas foi executada pela Controladoria Geral do Estado, que
tomou como base os convênios assinados entre a Sesed e o Ministério da Justiça
a partir do ano de 2011 até hoje, com o pedido de informações relativas às fontes
de recursos e valores transferidos, convênios aplicados e devoluções de
recursos à União. Deveriam constar, no Relatório assinado pela Control,
informações relativas à falta de projetos, recursos para contrapartidas e
documentos dos terrenos destinados às áreas para a construção das unidades
prisionais, o que não foi disponibilizado na documentação encaminhada ao TCE.
Recentemente nomeado para
exercer o cargo comissionado de chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Justiça
e Cidadania (Sejuc), Mário Leonardo Pereira Júnior, responde a processo por
improbidade administrativa na Justiça do Maranhão. Ele foi denunciado pelo
Ministério Público maranhense em dezembro do ano passado por estar supostamente
envolvido num esquema de fraude na contratação de empresas que prestam serviços
à Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária do Maranhão
(Sejap/MA).
De acordo com o Ministério
Público do Maranhão, “o ex-secretário Mário Leonardo assinou no final do governo
anterior (Roseana Sarney) a prorrogação indevida de um contrato de
terceirização da gestão do sistema prisional, com a empresa VTI. Essa
prorrogação está em desacordo com a Lei de Licitações”. Mário Leonardo Pereira
Júnior atuou como subsecretário da Sejap/MA ao longo do governo de Roseana
Sarney.
Ele ocupava o cargo durante as
rebeliões em Pedrinhas, com a morte de dezenas de presos, e de onde partiram as
ordens para os ataques a ônibus nas ruas de São Luís e Região Metropolitana.
Fontes da Tribuna do Norte com trânsito na Sejuc e Sistema Prisional informaram
que a vinda de Mário Leonardo tem por objetivo privatizar parte dos serviços
nas penitenciárias potiguares. A assessoria de imprensa da Sejuc não respondeu
aos questionamentos relativos à indicação de Mário Leonardo.
G1 RN

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