O dólar comercial opera em
forte queda nesta terça-feira, após ter fechado perto dos R$ 3,86 na sexta-feira
e de o Banco Central (BC) ter anunciado para hoje operação que visa a conter a
alta da moeda. A divisa recua 1,24%, a R$ 3,809 para compra e a R$ 3,8110 para
venda. Na mínima do dia, chegou a R$ 3,780. Já a Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa) acompanha o bom humor dos mercados externos e avança 0,75%, aos
46.845 pontos.
O BC promoverá nesta terça a
venda de até US$ 3 bilhões com compromisso de recompra, uma operação conhecida
no mercado como leilão de linha. Serão dois leilões, um com liquidação em 2 de
novembro e o outro, em 4 de novembro. É a primeira vez desde 22 de dezembro que
o BC oferece esse tipo de operação. Em agosto e em março, a autarquia também
fez leilões de linha, mas para rolar contratos que estavam para vencer.
— Com esse tipo de operação, o
BC está oferecendo moeda estrangeira aos bancos nacionais em um momento em que
eles enfrentam dificuldade de obtê-la lá fora. Assim, as instituições que
precisam fechar uma operação em dólar não vão precisar comprar moeda no
mercado, o que acaba aliviando a pressão sobre o câmbio — explicou Reginaldo
Galhardo, gerente de câmbio Treviso Corretora. — Apesar de isso provocar queda
do dólar frente ao real, a tendência segue sendo de alta, uma vez que o cenário
político-econômico não mudou.
Segundo João Medeiros, gerente
de câmbio Pioneer Corretora, a operação também é vantajosa para o próprio BC.
— Teoricamente, o BC vai
conseguir remunerar melhor seus dólares, que são mantidos aplicados em títulos
do Tesouro americano. Os bancos que participarem do leilão, os 14 “dealers”
autorizados a fazer esse tipo de operação, vão pagar um spread sobre essa
rentabilidade, que inclui a perspectiva de inflação e de variação do câmbio no
período — afirmou. — E o mais importante de tudo: sem mexer nas reservas internacionais,
pois os dólares saem já com retorno garantido. É uma operação muito
inteligente.
Na sexta-feira, a incerteza em
relação à permanência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no cargo, a frágil
situação das contas públicas e os dados que indicam a recuperação da economia
americana levaram o dólar comercial a saltar 2,63% ante o real, cotada a R$
3,857 na compra e a R$ 3,859 na venda. Foi a maior alta desde março. Na semana,
a divisa disparou 7,6%, maior valorização desde novembro de 2008.
O cenário internacional também
contribui para a queda do dólar contra o real hoje. Globalmente, a divisa perde
força com a alta das ações chinesas, que vinham sendo um fator de preocupação
para os investidores, e o consenso de que é mais provável que o Federal Reserve
(Fed, banco central americano) não eleve os juros dos Estados Unidos na reunião
do dia 17. O índice Dollar Spot, que mede a força do dólar frente a uma cesta
de dez moedas, tem baixa de 0,25%.
O clima nos mercados globais
nesta terça é de apetite para o risco. As Bolsas europeias sobem pelo segundo
pregão seguido, acompanhando o mercado chinês. A Bolsa de Londres avança 1,4%,
enquanto a de Frankfurt sobe 2,13%. Em Paris, a valorização é de 1,76%. Na
China, a Bolsa de Xangai se recuperou da queda de 2,5% registrada na
segunda-feira, subindo 2,9%. Mais uma vez, mexeram com o humor dos investidores
boatos sobre a compra de ações por fundos do governo como forma de estabilizar
o mercado.
Em Wall Street, o índice de
Dow Jones sobe 1,82%, enquanto o Nasdaq avança 1,95% e o S&P 500, 1,5%.
Na Bovespa, a alta é
sustentada pelas principais ações. A Petrobras avança 2,62% (ON, a R$ 10,16) e
2,58% (PN, a R$ 8,73). A Vale sobe 4% (ON, R$ 18,97) e 4,14% (PN, a R$ 15,34).
Entre os bancos, o Banco do Brasil avança 0,88% (R$ 17,19), o Bradesco sobe
2,23% (R$ 22,86) e o Itaú Unibanco, 1,51% (R$ 26,82).
O Globo

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