Os investidores tentam
encontrar um novo patamar para o dólar, após a moeda ter subido forte no último
pregão com a notícia da perda do grau de investimento do Brasil na agência de
classificação de risco Standard & Poors's. A moeda americana era cotada, às
10h21, a R$ 3,850 na compra e a R$ 3,852 na venda, praticamente estável, com
leve alta de 0,05% ante o real - na mínima, já chegou a R$ 3,822. Já a Bolsa de
Valores de São Paulo (Bovespa) tem pequena queda no índice de referência
Ibovespa (-0,12%), aos 46.448 pontos.
Na quinta-feira, a divisa
americana registrou valorização de 1,37%, terminando o pregão cotada a R$ 3,85.
Cleber Alessie, operador de
câmbio da corretora H.Commcor, afirma que o movimento de queda no atual
momento, em que o Brasil perdeu o grau de investimento por uma das três grandes
agências de avaliação de risco e os Estados Unidos dão sinais de que podem
elevar os juros, pode ser interpretada como uma realização de lucros por parte
dos investidores.
— Parece uma realização de
lucros, até porque os indicadores que foram divulgados hoje mostram uma melhora
da economia americana. Os preços ao produtor subiram mais que o esperado, o que
fortalece a ideia de que pode ocorrer um aumento de juros no curto prazo —
disse.
O operador lembrou, no
entanto, que o Banco Central tem sinalizado que irá intervir com maior
frequência no mercado de câmbio caso a cotação do dólar ameace ultrapassar
determinados patamares. Na quinta-feira, já foi feito um leilão de US$ 1,5
bilhão com compromisso de recompra. No mês, essas operações já somam US$ 4,5
bilhões.
Para Ricardo Gomes da Silva
Filho, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, os agentes do mercado
de câmbio estão atentos ao pacote de medidas que o ministro da Fazenda, Joaquim
Levy, afirmou que será implementado até o final do mês. No entanto, a avaliação
é que o pronunciamento de quinta-feira do ministro, após o rebaixamento do
Brasil, foi improvisado.
O governo deve aumentar os
esforços para evitar que as outras duas grandes agências de classificação de
risco, Fitch e Moody's, rebaixem a nota do Brasil. O risco maior está na
Moody's, em que a nota do Brasil está acima um nível do grau especulativo. Se
isso ocorrer, o país deixaria de ser grau de investimento em duas das três
grandes agências, deixando de atender as exigências de alguns fundos que pedem
esse selo de bom pagamento para deixar os recursos em um país.
PETRÓLEO EM QUEDA
O preço do petróleo tem queda
significativa no mercado internacional. O do tipo Brent recua 2,31% o barril, a
US$ 47,76, o que ajuda a pressionar as ações de companhias petrolíferas. No
Brasil, as ações da Petrobras, que na quinta-feira perdeu o grau de
investimento pela S&P, registram queda de 1,63% nas preferenciais (PNs, sem
direito a voto), cotadas a R$ 7,84, e de 1,28% nos ordinários (ONs, com direito
a voto), a R$ 9,19.
Já as ações da Vale registram
alta de 1,75% (PNs) e 2,35% (ONs).
No exterior, os principais
índices operam em terreno negativo. O DAX, de Frankfurt, cai 0,83%, e o CAC 40,
da Bolsa de Paris, recua 0,89%. No caso do FTSE 100, de Londres, a
desvalorização é de 0,48%.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Reflita, analise e comente