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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Incerteza política leva dólar comercial a R$ 3,909, nova máxima em 13 anos

O dólar comercial opera em forte alta de 1,69% contra o real nesta quinta-feira, pressionado por incertezas políticas. A divisa opera cotada a R$ 3,898 para compra e a R$ 3,900 para venda. Na máxima das negociações até agora, atingiu R$ 3,909, o que não acontecia durante uma sessão desde 23 de outubro de 2002.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) encerra hoje sua mais aguardada reunião nos últimos anos e pode subir os juros dos EUA pela primeira vez desde 2006, mas o movimento do dólar contra o real é influenciado por questões domésticas da crise política e vai na contramão do exterior: em escala global, o dólar opera praticamente estável contra uma cesta com as dez principais divisas do mundo.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por sua vez, opera em baixa de 0,70%, com o índice de referência Ibovespa aos 48.212 pontos.

— A alta do dólar até agora não tem qualquer relação com as expectativas sobre o Fed. Infelizmente, devido aos problemas domésticos de sempre, o movimento do dólar contra o real tem sido uma receita de bolo, um bem me quer, mal me quer. Um dia há uma alta forte, como no dia do anúncio do pacote fiscal, e no outro, uma queda intensa, com o mercado se frustrando quase que automaticamente pela falta de perspectivas — observou Italo Abucater, gerente de câmbio Icap do Brasil. — O tempo está passando e as dúvidas aumentando. O cenário continua muito turbulento, e aí surge todo o tipo de boatos que acabam tornando o mercado volátil.

Ontem, em dia de apetite para risco nos mercados, o dólar encerrou o pregão valendo R$ 3,835, recuo de 0,69% ante o real. Já o Ibovespa subiu 2,51%, chegando aos 48.553 pontos, o maior ganho do mês.

Em compasso de espera, os mercados europeus registram desempenho misto. O índice de referência das ações do continente, o Euro Stoxx, sobe 0,17%, mas a Bolsa de Londres tem baixa de 0,45%. EM Paris, o pregão avança 0,16% e em Frankfurt, 0,23%. Em Wall Street, o índice Dow Jones opera estável (+0,01%), assim como o S&P 500 (-0,03%) e o Nasdaq (+0,12%).

INVESTIDORES VEEM 32% DE CHANCE DE ALTA DE JUROS HOJE
O início da elevação das taxas de juros dos EUA, hoje praticamente zeradas, marcará o fim de um período de intenso estímulo econômico promovido pelo Fed na sequência da crise que estourou em 2008. No ano passado, o órgão já havia cortado parte dos estímulos, encerrando o programa trilionário de compra de títulos conhecido como Quantitative Easing (QE). Mas o Fed até agora não alterou seu baixíssimo patamar de juros, à espera da consolidação do mercado de trabalho e do retorno da inflação. Com a sucessiva divulgação de dados positivos nos últimos meses, os investidores passaram a especular que o Fed já estaria disposto a elevar as taxas.


Mas dúvidas persistem. Os investidores enxergam uma probabilidade de 32% de elevação dos juros na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) desta quinta-feira. Esse percentual caiu quase pela metade depois que a China promoveu a desvalorização de sua moeda, o yuan, gerando temores de que a desaceleração do país asiático pode complicara retomada da economia americana. Por isso, a maior parte do mercado acredita ser mais provável que o Fed suba os juros apenas em dezembro. O anúncio de hoje será feito à tarde.

O Globo

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