O dólar comercial opera em
forte alta de 1,69% contra o real nesta quinta-feira, pressionado por
incertezas políticas. A divisa opera cotada a R$ 3,898 para compra e a R$ 3,900
para venda. Na máxima das negociações até agora, atingiu R$ 3,909, o que não acontecia
durante uma sessão desde 23 de outubro de 2002.
O Federal Reserve (Fed, o
banco central americano) encerra hoje sua mais aguardada reunião nos últimos
anos e pode subir os juros dos EUA pela primeira vez desde 2006, mas o
movimento do dólar contra o real é influenciado por questões domésticas da
crise política e vai na contramão do exterior: em escala global, o dólar opera
praticamente estável contra uma cesta com as dez principais divisas do mundo.
A Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa), por sua vez, opera em baixa de 0,70%, com o índice de
referência Ibovespa aos 48.212 pontos.
— A alta do dólar até agora
não tem qualquer relação com as expectativas sobre o Fed. Infelizmente, devido
aos problemas domésticos de sempre, o movimento do dólar contra o real tem sido
uma receita de bolo, um bem me quer, mal me quer. Um dia há uma alta forte,
como no dia do anúncio do pacote fiscal, e no outro, uma queda intensa, com o
mercado se frustrando quase que automaticamente pela falta de perspectivas —
observou Italo Abucater, gerente de câmbio Icap do Brasil. — O tempo está
passando e as dúvidas aumentando. O cenário continua muito turbulento, e aí
surge todo o tipo de boatos que acabam tornando o mercado volátil.
Ontem, em dia de apetite para
risco nos mercados, o dólar encerrou o pregão valendo R$ 3,835, recuo de 0,69%
ante o real. Já o Ibovespa subiu 2,51%, chegando aos 48.553 pontos, o maior
ganho do mês.
Em compasso de espera, os
mercados europeus registram desempenho misto. O índice de referência das ações
do continente, o Euro Stoxx, sobe 0,17%, mas a Bolsa de Londres tem baixa de
0,45%. EM Paris, o pregão avança 0,16% e em Frankfurt, 0,23%. Em Wall Street, o
índice Dow Jones opera estável (+0,01%), assim como o S&P 500 (-0,03%) e o
Nasdaq (+0,12%).
INVESTIDORES VEEM 32% DE
CHANCE DE ALTA DE JUROS HOJE
O início da elevação das taxas
de juros dos EUA, hoje praticamente zeradas, marcará o fim de um período de
intenso estímulo econômico promovido pelo Fed na sequência da crise que
estourou em 2008. No ano passado, o órgão já havia cortado parte dos estímulos,
encerrando o programa trilionário de compra de títulos conhecido como
Quantitative Easing (QE). Mas o Fed até agora não alterou seu baixíssimo
patamar de juros, à espera da consolidação do mercado de trabalho e do retorno
da inflação. Com a sucessiva divulgação de dados positivos nos últimos meses,
os investidores passaram a especular que o Fed já estaria disposto a elevar as
taxas.
Mas dúvidas persistem. Os
investidores enxergam uma probabilidade de 32% de elevação dos juros na reunião
do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) desta
quinta-feira. Esse percentual caiu quase pela metade depois que a China
promoveu a desvalorização de sua moeda, o yuan, gerando temores de que a
desaceleração do país asiático pode complicara retomada da economia americana. Por
isso, a maior parte do mercado acredita ser mais provável que o Fed suba os
juros apenas em dezembro. O anúncio de hoje será feito à tarde.
O Globo

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