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sábado, 5 de setembro de 2015

Burocrático, Brasil vence amistoso contra a Costa Rica

O problema crônico da seleção brasileira continua sem solução. Sem Neymar, que começou no banco, o Brasil foi burocrático e venceu sem brilho, por 1 a 0, a Costa Rica em amistoso nos Estados Unidos. E só não empatou porque a arbitragem anulou gol legal do adversário — o Brasil também teve um gol mal anulado. Suspenso dos dois primeiros jogos das eliminatórias, Neymar ainda vai dar muitas saudades e bastante dor de cabeça para Dunga, que completou um ano na seleção, fazer a equipe jogar sem o astro.

A seleção brasileira não precisou nem de dez minutos para abrir o placar diante de uma inocente Costa Rica. Aos 9, após uma bola longa até a intermediária, Hulk, que voltava à seleção após ficar fora da Copa América, usou a força para ganhar do zagueiro e invadir a área. O atacante chegou a cair, mas conseguiu se recuperar e chutar para fazer 1 a 0. Os costarriquenhos pediram falta. 

Sem criatividade no toque de bola, e por muitas vezes com Hulk isolado no ataque, a seleção abusava dos lançamentos em profundidade desde o seu campo, fazia ligação direta entre defesa e ataque. A tática funcionou com eficiência no lance do gol e, aos poucos, mostrou-se obsoleta para os padrões do futebol moderno. Ainda mais após a Costa Rica arrumar a marcação.

Um arremedo de vaia foi ensaiado no estádio em Nova Jersey quando o Brasil recuou e, com dez jogadores, passou a esperar a Costa Rica. Sem identidade, a seleção tocava a bola sem objetividade e irritava o torcedor. Já marcava 30 minutos no cronômetro e, além da jogada do gol, nada havia sido criado.

Fernandinho e Luiz Gustavo foram escalados para dar mais segurança à defesa. Saíram pouco no primeiro tempo e o time ficou lento no setor. Ainda mais com Douglas Costa pouco acionado. O Brasil tinha dificuldade de ir adiante e criar jogadas com Lucas Lima e Willian. Os laterais eram pouco acionados. E Dunga precisava mudar isso no intervalo.

— Falta um pouco de entrosamento, mas estou tentando desenvolver da melhor forma possível — disse Lucas Lima.

No início do segundo tempo, com o Brasil sem alterações, Lucas Lima e Douglas Costas tentaram sair um pouco mais, fazer as tabelas e servir melhor ao ataque. Marcelo resolveu ir à linha de fundo logo aos 2 e cruzar. A bola passou rente ao gol, sem ter ninguém na área para empurrá-la.

Àquela altura, a torcida no estádio americano já gritava o nome de Neymar. E os jogadores da Costa Rica gritariam mais alto ainda quando Bryan Ruiz teve um gol mal anulado, aos 10. A arbitragem marcou impedimento quando o costarriquenho foi lançado, mas David Luiz dava condição.

Somente aos 21, Kaká e Philippe Coutinho entraram nos lugares de Hulk e Lucas Lima. Em um raro momento de lucidez da equipe no segundo tempo, Kaká fez boa jogada e cruzou para Douglas Costa, do meio da área, chutar e obrigar Pemberton a fazer boa defesa, aos 28.

Muito mal, a arbitragem ainda anulou gol legítimo de Douglas Costa, aos 31, sinalizando impedimento inexistente.


Neymar entrou em campo somente aos 35 minutos. Com o jogador, o Brasil teve mais volume de ataque, marcou presença na área com até seis jogadores, mas não conseguiu chegar ao segundo gol. Talvez se ele tivesse mais tempo...

O Globo