O problema crônico da seleção
brasileira continua sem solução. Sem Neymar, que começou no banco, o Brasil foi
burocrático e venceu sem brilho, por 1 a 0, a Costa Rica em amistoso nos
Estados Unidos. E só não empatou porque a arbitragem anulou gol legal do
adversário — o Brasil também teve um gol mal anulado. Suspenso dos dois
primeiros jogos das eliminatórias, Neymar ainda vai dar muitas saudades e
bastante dor de cabeça para Dunga, que completou um ano na seleção, fazer a
equipe jogar sem o astro.
A seleção brasileira não
precisou nem de dez minutos para abrir o placar diante de uma inocente Costa
Rica. Aos 9, após uma bola longa até a intermediária, Hulk, que voltava à
seleção após ficar fora da Copa América, usou a força para ganhar do zagueiro e
invadir a área. O atacante chegou a cair, mas conseguiu se recuperar e chutar
para fazer 1 a 0. Os costarriquenhos pediram falta.
Sem criatividade no toque de
bola, e por muitas vezes com Hulk isolado no ataque, a seleção abusava dos
lançamentos em profundidade desde o seu campo, fazia ligação direta entre
defesa e ataque. A tática funcionou com eficiência no lance do gol e, aos
poucos, mostrou-se obsoleta para os padrões do futebol moderno. Ainda mais após
a Costa Rica arrumar a marcação.
Um arremedo de vaia foi
ensaiado no estádio em Nova Jersey quando o Brasil recuou e, com dez jogadores,
passou a esperar a Costa Rica. Sem identidade, a seleção tocava a bola sem
objetividade e irritava o torcedor. Já marcava 30 minutos no cronômetro e, além
da jogada do gol, nada havia sido criado.
Fernandinho e Luiz Gustavo
foram escalados para dar mais segurança à defesa. Saíram pouco no primeiro
tempo e o time ficou lento no setor. Ainda mais com Douglas Costa pouco
acionado. O Brasil tinha dificuldade de ir adiante e criar jogadas com Lucas
Lima e Willian. Os laterais eram pouco acionados. E Dunga precisava mudar isso
no intervalo.
— Falta um pouco de
entrosamento, mas estou tentando desenvolver da melhor forma possível — disse
Lucas Lima.
No início do segundo tempo,
com o Brasil sem alterações, Lucas Lima e Douglas Costas tentaram sair um pouco
mais, fazer as tabelas e servir melhor ao ataque. Marcelo resolveu ir à linha
de fundo logo aos 2 e cruzar. A bola passou rente ao gol, sem ter ninguém na
área para empurrá-la.
Àquela altura, a torcida no
estádio americano já gritava o nome de Neymar. E os jogadores da Costa Rica
gritariam mais alto ainda quando Bryan Ruiz teve um gol mal anulado, aos 10. A
arbitragem marcou impedimento quando o costarriquenho foi lançado, mas David
Luiz dava condição.
Somente aos 21, Kaká e
Philippe Coutinho entraram nos lugares de Hulk e Lucas Lima. Em um raro momento
de lucidez da equipe no segundo tempo, Kaká fez boa jogada e cruzou para
Douglas Costa, do meio da área, chutar e obrigar Pemberton a fazer boa defesa,
aos 28.
Muito mal, a arbitragem ainda
anulou gol legítimo de Douglas Costa, aos 31, sinalizando impedimento
inexistente.
Neymar entrou em campo somente
aos 35 minutos. Com o jogador, o Brasil teve mais volume de ataque, marcou
presença na área com até seis jogadores, mas não conseguiu chegar ao segundo
gol. Talvez se ele tivesse mais tempo...
O Globo
