
Temer se reuniu com ministros
e caciques do PMDB para tratar de vários cenários durante o final de semana.
Aliados dizem que estão surpresos com a "firmeza" de Temer, que
adotou um linguajar até mais enfático. O próprio Temer é jurista e conhece
todos os ministros do TSE e do STF.
Nos encontros, Temer disse que
vai recorrer, ou seja, usar de todos os meios jurídicos à disposição.
— Essa situação pode levar uns
120 dias. E o Temer disse que é sim um democrata e que vai afirmar
democraticamente os direitos de presidente — disse um aliado que esteve no
Palácio do Jaburu.
O Planalto aposta que o
julgamento da chapa Dilma-Temer, marcado para o próximo dia 6, não vai terminar
até o dia 8, conforme a previsão inicial. Há ainda a expectativa de que
ministros peçam vista, apesar da pressão política por um desfecho rápido. Um
dos ministros avaliou que o caso é "muito difícil e complexo" e que
não se pode prever o que vai acontecer.
A declaração do presidente do
TSE, ministro Gilmar Mendes, de que o Tribunal não resolve crises políticas não
foi visto como um ultimato. O planalto avalia que Gilmar deixou claro que a
questão será decidida "juridicamente" e não com base em pressões
políticas. E, no campo jurídico, Temer acredita ter armas.
Além disso, Temer gostaria de
ganhar tempo para definir a sucessão do procurador-geral da República, Rodrigo
Janot.
ELEIÇÕES INDIRETAS
No caso de Temer perder o
mandato, as eleições indiretas serão comandadas pelo presidente do Congresso,
senador Eunício Oliveira (CE). E, neste caso, a avaliação do Planalto é de que
há vácuos na lei. Acreditam que não é certo que a eleição será bicameral
(Câmara primeiro e Senado depois). A um aliado, Eunício disse que não há regras
e que ele terá que definí-las. O presidente do Congresso esteve com Temer no
sábado, em encontro reservado, depois do ex-presidente José Sarney, e viajou no
domingo ao lado do presidente para Alagoas e Pernambuco para ver os estragos
das chuvas.
Eunício tem adotado o discurso
de que atua para aprovar as reformas do país e não de Temer. Isso para tentar
manter uma postura institucional se tiver que comandar um processo de eleição
indireta. Quando perguntado sobre isso, “Eunício dispara: só falo sobre esse
assunto se houver vacância do cargo”.
O Globo
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