quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Paciente com covid é preso acusado de estuprar idoso em hospital

Um paciente de covid-19 é acusado de estuprar outro paciente idoso, com 91 anos, dentro do Hospital Municipal de Campanha de Natal, no Rio Grande do Norte. O caso teria ocorrido na noite de quarta-feira (6), e foi registrado pela Polícia Militar do Estado chamada pela direção do hospital para atender a ocorrência. Na manhã desta quinta-feira (7), a Polícia Civil decretou a prisão em flagrante e o suspeito foi encaminhado para a ala de presos com covid-19 em outra unidade hospitalar.

De acordo com o registro da Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 19h30 em uma das alas do hospital, localizado na zona leste da cidade e específico para casos da covid-19. A direção acionou os policiais depois de o abuso ser constatado por uma avaliação médica feita por profissionais da própria unidade. Os dois envolvidos foram conduzidos para a Central de Flagrantes da Polícia Civil do Rio Grande do Norte com apoio do Samu (Serviço Móvel de Urgência). O caso é investigado pela Depi (Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso).

A Polícia Civil disse que o suspeito, um paciente de 37 anos que também estava com covid-19, e a vítima estavam internados em leitos de enfermaria próximos. Questionada pela reportagem se estavam no mesmo quarto, a Secretaria Municipal de Saúde disse que "a família da vítima não autoriza o repasse das informações."

 

Após o boletim de ocorrência ser registrado, o suspeito recebeu voz de prisão e foi encaminhado para a ala de presos com covid-19 do Hospital Walfredo Gurgel, também na zona leste de Natal. A vítima retornou ao hospital de campanha, mas seu estado de saúde não foi divulgado.

 

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde lamentou o caso e disse que tomou as providências que cabiam ao serviço de saúde. "A Secretaria Municipal de Saúde de Natal lamenta profundamente o ocorrido, informa que tomou todas as medidas cabíveis, denunciando e colaborando com a polícia a quem cabe investigar e seguir com o processo", diz.

 

Nesta quinta-feira, o Conselho Municipal de Saúde de Natal questionou a segurança do local e a divisão dos quartos. Segundo a presidente do conselho, Dalva Horácio, os dois não poderiam estar no mesmo quarto porque a condição de vulnerabilidade do idoso é maior. "Se estavam no mesmo quarto, a secretaria precisa explicar por que um paciente estava junto de outro mais vulnerável. Se não estavam no mesmo quarto, precisa explicar como esse paciente circulou até o quarto do idoso", disse.

 

O Hospital de Campanha de Natal foi aberto em maio para atender pacientes infectados pela covid-19. A estrutura provisória fica na área do antigo Hotel Parque da Costeira, na Via Costeira de Natal, avenida à beira-mar conhecida pelos hotéis de luxo e que interliga as zonas leste e sul de Natal.

 

Os leitos de enfermaria da unidade ficam nos antigos quartos do local, cada um com dois leitos de enfermaria, separadas em alas masculina e feminina. Até a manhã desta quinta-feira, 15 pacientes estavam internados em leitos de UTI e outros 50 em leitos clínicos. A unidade possui 20 leitos intensivos e 100 clínicos.

 

A presidente do Conselho Municipal de Saúde de Natal diz que a unidade de campanha tem histórico de furtos de objetos. Segundo Dalva Horácio, este é um problema investigado desde o início do funcionamento do local. "Muitos celulares de pacientes já foram furtados no local, o que leva a gente a questionar as condições de segurança do local", afirmou.

 

O hospital de campanha é exclusivo para pacientes com covid-19 regulados de outras unidades de saúde, como UPA (Unidades de Pronto Atendimento), UBS (Unidades Básicas de Saúde) e os Centro Covid-19, criados para aumentar a rede de atendimento a pacientes suspeitos. Apenas os profissionais do local e os pacientes regulados podem entrar na unidade.

 

Dalva Horácio também afirmou que vai se reunir com a secretaria de Saúde nos próximos dias para levantar uma série de questionamentos sobre a segurança no local, como a existência de câmeras nos corredores e fiscalização de pacientes que saem dos seus quartos para outros. Um relatório deve ser encaminhado para a Promotoria do Idoso do Ministério Público do Rio Grande do Norte.

 

O Estadão questionou a Secretaria Municipal de Saúde sobre as condições de segurança no local e o histórico de furtos de objetos, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.


R7

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