quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Valor do IPVA para 2022 deve subir 30% em média

Os preços dos carros usados seguem em alta, o que alerta os seus proprietários também no que diz respeito ao pagamento do  Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) cobrado em 2022. Embora o  Estado não vá modificar a alíquota sobre o valor venal (baseado na Tabela FIPE) do veículo, permanecendo nos 3%, o imposto pago pelo contribuinte será mais alto em razão da elevação do preço dos automóveis no Brasil neste ano. Na média, os preços nas concessionárias de Natal, no último trimestre deste ano, estão 30% maiores em relação ao mesmo período do ano passado. Esse patamar pode ser duradouro e, na dúvida, os clientes preferem garantir a compra.

Pedro Teixeira Neto, gerente da Casa do Automóvel, no Alecrim, diz que o Hyundai HB 20, ano 2015, teve o seu preço elevado de R$ 33 mil para R$ 45 mil, uma elevação de 36,4%. O valor do impost o a pagar salta de R$ 990 para R$ 1.350, em média. O  modelo é o campeão de vendas, juntamente com o Sandero 1.0, da Renault, ano 2015, que passou de R$ 28 mil para R$ 36.900,00. Nesse caso o valor do IPVA passa de R$ 840 para R$ 1.080, um aumento de 28,57%. Entre os carros de porte maior, uma caminhonete Hylux SRV  passou de R$ 180 mil para R$ 205 mil. O IPVA desse veículo pode ir a R$ 6.150, cerca de 13% a mais que no ano passado (R$ 5.400). 

A principal razão para os clientes aceitarem esses preços é demora cada vez maior para receber um carro novo nas concessionárias. "Já chegou um cliente aqui que esperava uma Fiat Strada há oito meses e terminou comprando uma 2018", diz Neto, acrescentando que, neste ano, a tabela da Fipe aumentou os seus preços por três vezes. Esse movimento no mercado, de início, causou receio entre donos e gerentes de lojas. Eles temiam por a demanda não sustentar o nível de preços nesse patamar. “Ficamos assustados e pensamos que iríamos ter problemas para manter o negócio”, afirma Lilson Queiroz. 

 

Embora boa parte dos clientes fiquem mais focados no que irão gastar a mais na hora da troca do carro, alguns deles são beneficiados pelo momento do mercado. A agente de crédito Edna dos Santos conseguiu vender por R$ 23 mil o seu carro, que foi comprado por R$ 14 mil. “O preço dele praticamente dobrou. Na tabela Fipe, ele estava a R$ 27.900,00”, diz ela, que fechou negócio enquanto a equipe reportagem apurava a reportagem. 

 

Normando Teixeira, gerente de uma das maiores lojas de carros usados em Natal, a Nil Car, fala que o problema da escassez de peças é visto com maior inensidade em modelos como o Fiat Strada. “O público está consumindo mais os modelos utilitários e isso faz eles encarecerem”, diz o gerente. Ele complementa dizendo desconhecer outro momento do mercado em que isso tenha acontecido e alerta: “Não irá mudar enquanto os insumos continuarem faltando nas linhas de montagem”. 

 

Em Natal, o carro de  entrada mais barato encontrado na segunda-feira (7), zero quilômetro, com nenhum recurso opcional foi o Fiat Mobi, ao preço de R$ 49.890,00. O IPVA sobre o preço de um modelo como esse irá custar R$ 1.496,00.  O modelo básico do Renault Kwid zero disponível em Natal está quase R$ 60 mil, porém ele já conta com itens como ar-condicionado, direção elétrica, vidros elétricos nas duas portas dianteiras, som com MP3 e bluetooth, e air bags nos quatro bancos. O proprietário de um veículo como esse irá pagar R$ 1.799, 70 de imposto no próximo ano.

 

Em nota, a Secretaria Estadual de Turismo (SET), comunicou que, em meio a especulações, não há que não há previsão de aumento de alíquota deste tributo para o ano de 2022. “As especulações buscam, maliciosamente, associar a alta no valor dos carros usados, verificada em todo o país, ao reajuste da alíquota de IPVA. O impacto provocado por essa oscilação de preços foi na tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), usada em todo o País como referência para aplicação da alíquota do IPVA", informa o comunicado.

 

O aumento dos preços dos veículos, tanto os novos quanto os usados é uma conseqüência do surto de coronavírus e das medidas de restrição social adotadas para conter as contaminações. As fábricas ao redor do mundo pararam a produção. Muitas plantas de montagem foram fechadas e, ao voltarem, funcionam de maneira mais enxuta. Os preços também sofreram a influência por rompimentos na cadeia produtiva de insumos, como os semicondutores, integrantes dos microchips. 

 

Por causa dessas medidas restritivas, quem quer ter o prazer de adquirir um carro novo deve ser paciente. As filas de espera duram em média, três meses dependendo do modelo comprado. Como uma boa parcela do público comprador não tem paciência para esperar, parte para a demanda de veículos usados e estes, seguindo a lei de mercado, também tem os preços reajustados para cima.

 

No País, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o valor médio dos veículos no País subiu 24,94% em 12 meses, no período entre outubro de 2020 e setembro deste ano. Os carros zero-quilômetro apresentaram um aumento de 20,72% no período. Se forem considerados somente os veículos usados, a elevação é ainda maior, de 30,25%.


Tribuna do Norte

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