Após anunciar o terceiro prejuízo
trimestral seguido, a Petrobrás deverá priorizar a rentabilidade, com corte de
5% nos investimentos neste ano, sobre a produção. A estratégia da diretoria é
garantir que a receita própria cubra os gastos com passivos financeiros e
investimentos, sem captações. A equação pode reverter o alto endividamento da
estatal – o tempo de recuperação é a incógnita que preocupa o mercado
financeiro.
“É muito difícil prever (esse
prazo)”, reconheceu o diretor financeiro, Ivan Monteiro, em teleconferência a
analistas. “Em vez de focar na produção, a diretoria foca na rentabilidade e
liquidez (…) começando pela maior disciplina de capital, pela redução dos
custos ou da natureza do negócio. O conjunto de iniciativas deve acelerar ao
longo de 2016 e levará a esse horizonte que tanto desejamos.”
De janeiro a março, a
companhia teve saldo de R$ 2,4 bilhões entre o lucro operacional sobre o total
de investimentos. Com o fluxo de caixa positivo, o saldo é uma marca da
reengenharia financeira feita pela gestão de Aldemir Bendine. A equipe deve
permanecer na empresa no curto prazo. Segundo fontes, a sinalização foi dada
pelo presidente em exercício, Michel Temer.
As incertezas do momento,
entretanto, ainda alarmam os investidores. As ações da companhia fecharam em
queda, ontem, entre 3,37% e 4,64%. Analistas criticaram a “enorme quantidade de
potenciais passivos” financeiros relativos à dívida da companhia, que chegou a
R$ 450 bilhões.
“Despesas com juros e
variações cambiais têm, trimestre após trimestre, ofuscado os bons resultados
operacionais”, avalia relatório do banco Credit Suisse, que destacou alta de
55% no prejuízo financeiro do trimestre. “O saldo de caixa das operações
superou os investimentos no período, mas não o suficiente para cobrir também os
pagamentos de juros”, completa.
O aperto de capital da
companhia começa com a revisão em 5% dos investimentos neste ano, somando US$
19 bilhões. No primeiro trimestre, a redução de desembolsos chegou a 14%. Na
estimativa para 2017 e 2018, a estatal planeja caixa de US$ 20 bilhões com
visão “conservadora” para novas captações.
“Uma componente importante que
pode acelerar o processo de redução do endividamento e contribuir para que a
geração de caixa cubra todos os investimentos, inclusive o serviço da dívida, é
o desinvestimento”, reforçou Ivan Monteiro. Ele reforçou a crença na meta
“desafiadora” de vendas – até agora, a estatal arrecadou 10% da meta de US$ 14
bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Estadão Conteúdo
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