Foto: Adriano Machado/Reuters
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Após o Senado determinar o
afastamento da presidente Dilma Rousseff por até 180 dias, o jornal The New
York Times publicou nesta sexta-feira um editorial sobre a crise política,
dizendo que as coisas podem ficar ainda piores no Brasil.
O texto se inicia dando
destaque à fala da presidente na qual ela diz que pode ter cometido erros, mas
não crimes. Mesmo pontuando que essa declaração é passível de debate, o NYT
afirma que Dilma tem razão em questionar os motivos por ter sido afastada.
Apesar de criticar as
habilidades políticas e de liderança da petista, o jornal deixa claro que não
há contra ela evidências de enriquecimento pessoal ilícito, "enquanto
muitos dos que orquestram sua saída são acusados em um grande esquema de
corrupção e outros escândalos".
Ainda nesse sentido, o artigo
cita que Michel Temer, presidente em exercício, poderia se tornar inelegível
por 8 anos, já que o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, condenou o
peemedebista por violar limites financeiros de campanha.
Democracia frágil
O editorial aponta que o
Brasil vive sua pior recessão desde 1930 e que os rumos que a administração do
país tem tomado podem prejudicar ainda mais uma democracia tão jovem.
Além disso, é dada ênfase para
o fato de que as "pedaladas fiscais", das quais Dilma é acusada,
foram cometidas por outros chefes do Executivo brasileiro, sem que esses
enfrentassem processos de impedimento.
Quanto ao futuro do
impeachment, o jornal americano afirma. "Se o Senado condenar Rousseff por
má conduta financeira, o que é provável dado que 55 dos 81 senadores votaram
para levá-la a julgamento, os políticos podem achar mais fácil voltar à
política usual, de pagar para participar. Isso seria indefensável"
Para finalizar, o texto indica
que os senadores que desejam tirar Dilma definitivamente do poder devem se
lembrar de que ela foi "eleita duas vezes e de que o PT ainda tem um apoio
considerável, especialmente entre os milhões que saíram da pobreza nos últimos
20 anos".
Exame-Abril
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