Michel Temer marcou para 15h
desta quinta-feira a posse de ministros de seu governo, no Palácio do Planalto.
Depois, fará uma declaração à imprensa. Ainda hoje, ele terá seu primeiro
compromisso público fora do Planalto: irá à posse do ministro do STF, Gilmar
Mendes, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 19h. Até a
hora do evento, Temer já deverá ocupar formalmente a Presidência da República,
por conta do afastamento de Dilma Rousseff do cargo pelo Senado.
Conhecido pelas posições
assumidas publicamente contrárias ao governo Dilma Rousseff, Gilmar é o relator
da prestação de contas da petista na campanha eleitoral de 2014. As contas
foram aprovadas pelo plenário do TSE em dezembro do mesmo ano, logo depois das
eleições. Ainda assim, o ministro continuou encaminhando irregularidades
detectadas na contabilidade petista a órgãos de fiscalização, o que irritou o
governo e o partido.
Existem hoje no TSE quatro
processos contra a chapa vencedora nas eleições de 2014, formada por Dilma e
Temer, para apurar desvios cometidos durante a campanha. Há suspeita de que a
chapa recebeu dinheiro desviado da Petrobras. Um dos processos está recheado de
provas da Lava-Jato, compartilhadas pelo juiz Sérgio Moro, que conduz as
investigações na Justiça Federal em Curitiba. Em caso de condenação, toda a
chapa perderia o direito de continuar no poder.
Temer já pediu para deixar de
figurar como investigado nos processos. A defesa dele argumenta que os indícios
apresentados até agora comprometem apenas Dilma. Por enquanto, a tese não
convenceu os ministros do TSE. Com Gilmar na presidência da corte, Temer nutre
esperança de que saia ileso dos processos - ou com a separação das contas de
campanha, ou com o atraso no julgamento das ações.
REUNIÃO NO JABURU
Pela manhã, o secretário de
Segurança Pública de São Paulo Alexandre de Moraes chegou ao Palácio do Jaburu
para se reunir com o vice. Moraes será o novo ministro da Justiça, segundo
disse ontem ao GLOBO um interlocutor do vice. Indicados respectivamente para a
Casa Civil e Fazenda, Eliseu Padilha e Henrique Meirelles, também participam do
encontro.
Os dois já teriam até definido
as linhas gerais de atuação do ministro. Moraes deverá dar prioridade a
programas de apoio aos estados no combate à violência urbana. Ideias similares
foram testadas pelos últimos governo, mas sem o sucesso esperado.
No pronunciamento à imprensa,
Temer abordará a necessidade de recuperar a economia e que, para isso, será preciso
medidas duras. Citará mudanças na Previdência e a simplificação do sistema
tributário. O peemedebista será enfático quanto à manutenção dos programas
sociais, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Prouni e Pronatec,
afirmando que passarão por algumas reformulações mas para que se tornem mais
eficientes.
Temer dirá ainda que a
Operação Lava-Jato tem seu apoio integral e irá elogiar a ação da Polícia
Federal e do Ministério Público Federal.
O ministro indicado da Casa
Civil, Eliseu Padilha, afirmou na manhã que ainda há dúvidas sobre os nomes dos
futuros ministros de Minas e Energia e Integração Nacional. A expectativa é que
os nomes sejam escolhidos até a posse ainda nesta quinta-feira.
- Neste momento ainda temos
duas alternativas que estão sendo estudadas - disse Padilha ao chegar no
Palácio do Jaburu para uma reunião com Temer.
Temer não fará pronunciamento.
Depois da posse dará entrevista coletiva. Amanhã, os ministros anunciam novas
medidas. O primeiro a falar deverá ser Henrique Meirelles, escolhido para o
Ministério da Fazenda. Ele chegou agora há pouco no Jaburu, onde é grande o
movimento de políticos e da futura equipe de Temer.
O Globo

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