Os cardápios são variados,
indo de alternativas mais tradicionais a ceias elaboradas, que misturam doces e
salgados. A padaria Gosto de Pão, no bairro Lagoa Nova, oferece o serviço de
encomendas desde 1993. É o que conta a gerente do estabelecimento, Mariza
Silva. Na visão dela, a ceia natalina significa “festa”: “E festa é sempre uma
coisa que vem com felicidade. Para mim, significa festa, amor,
confraternizações. Chegar mais perto um do outro.”
Mariza diz que o assado (peru) e a rabanada são itens quase obrigatórios de uma ceia natalina. A gerente conta que o cardápio natalino é construído ouvindo sugestões da equipe. As encomendas estão sendo feitas desde o dia 10, indo até às 19h do dia 23 deste mês. “Estamos botando fé, acreditando que vai dar certo, que a gente vai bombar”, compartilha.
Sócias da doceria DeKacau, no
bairro Planalto, Débora de Sena e Caroline Silva veem as festas natalinas como
uma oportunidade de turbinar os lucros da empresa, ao mesmo tempo em que buscam
espalhar a alegria e o clima de confraternização para seus clientes. O serviço
existe desde 2023 e se mostrou uma aposta de bom retorno.
“O final de ano significa
confraternizar. Significa união, reunir a família com alegria e comer coisas
boas”, Débora define. A campanha da doceria em 2025 – “O sabor que celebra” –
reafirma a importância da ceia natalina. “É algo que a gente pensa muito antes
de oferecer para o nosso cliente. Selecionamos bem todos os produtos para
oferecer algo que faça a diferença na ceia de cada cliente”, Caroline
acrescenta.
De acordo com as sócias, a
ideia surgiu a partir da percepção de que os clientes queriam os doces da
DeKacau em suas ceias. Já acostumadas a trabalhar com encomendas, elas dizem
que o Natal é a segunda data de mais faturamento para a empresa, perdendo apenas
para a Páscoa.
“Para os clientes, é
inevitável que chegue o final do ano e eles não peçam que a gente esteja junto
deles, também, nesse momento especial”, afirma Débora. “E quando chega no final
do ano, eles já perguntam: e para o Natal, vai ter cardápio, vai ter ceia?”,
Caroline completa.
A doceria oferta ceias sob
encomenda, mas se prepara para vendas em cima da hora. Em 24 de dezembro,
véspera de Natal, a DeKacau terá produção extra a pronta entrega. “Vamos deixar
tortas, alguns salgados, algumas coisas de ceia que a gente sabe que o pessoal
procura mais, disponíveis na vitrine”, afirma Débora.
“Neste ano, a gente colocou
mais pratos salgados para ter um diferencial, apesar de a gente ser muito
focada no doce”, conta Caroline Silva. Entre outros itens disponíveis, estão
panetones trufados, arroz colorido, salpicão, canapés e diversas sobremesas. Da
lista de itens tradicionais, falta o peru.
Também há a opção de
personalizar o pedido e entregar presentes em forma de produtos natalinos. “A
ceia vai depender do cliente. Tem cliente que diz: ‘ah, eu só quero doce,
porque o salgado não é comigo’, então a gente faz de acordo com o que ele quer.
Neste ano, inclusive, a gente investiu no cardápio online, em que os clientes
têm uma liberdade maior de escolher”, explica Caroline.
Na padaria Gosto de Pão, o dia
24 também será de exposição de produtos natalinos. Segundo Mariza Silva, a
demanda está alta, com a expectativa de vender cerca de 50 ceias completas até
a véspera de Natal. “Graças a Deus e aos clientes, este ano [a demanda] está
bem melhor. Temos um cardápio belíssimo”, pontua.
A operadora de caixa Érica
Santos organiza as encomendas na padaria Sabor de Pão. Segundo ela, os clientes
costumam pedir em cima da hora, mas o ritmo de encomendas já está alto. Érica
estima que a padaria terá cerca de 190 pedidos relacionados à ceia.
“A procura é muito grande no
Natal. É um dia muito corrido, parece estar todo mundo em uma maratona. Para
quem pode encomendar, é bem melhor, porque não tem aquela responsabilidade de
passar o dia cozinhando e a noite estar super cansado”, Érica relata. Para ela,
panetone e rabanada não podem faltar na refeição natalina. “O dia de cear é um
dia especial. Um dia em que todo mundo se junta pra se confraternizar”, resume.
As profissionais ouvidas pela
reportagem explicam que a praticidade de encomendar a ceia traz conforto para
as famílias e dá mais tempo livre para aproveitarem a confraternização. “A
praticidade é enorme, principalmente para a gente que oferece o delivery
também. Você tem tudo pronto, e recebe na sua casa produtos fresquinhos e
deliciosos”, diz Débora de Sena. Mariza Silva afirma que não é interessante
ficar cozinhando no dia da ceia.“É um dia de confraternização. É um dia de
felicidade”.
Na padaria Gosto de Pão, há
diversas opções de ceias, com preços indo de R$ 179 (kit básico) a R$ 479,90
(kit presente de Natal). A DeKacau oferece um preço médio entre R$ 200 e R$ 250
– contando com sobremesa e um complemento para a ceia.
“Como a gente não entrega uma
ceia completa [sem o peru] para o cliente, não tem como a gente dar um ticket
médio estimado de uma ceia completa. O cliente que faz o pedido mais completo
ali do cardápio, que leva todos os itens, paga em torno de R$ 600”, Débora
relata.
A tradição da ceia natalina
tem origem em antigos rituais do hemisfério norte, associados às festas do
solstício de inverno. Povos europeus celebravam o período com banquetes
coletivos, marcando o fim dos dias mais escuros e a expectativa de renovação. Com
a consolidação do cristianismo, esses costumes foram incorporados ao calendário
religioso, e o Natal passou a ser celebrado em 25 de dezembro, com a refeição
assumindo o sentido de partilha e comunhão.
Na tradição cristã medieval, a
véspera do Natal era marcada pelo jejum, rompido à noite ou no dia seguinte com
uma refeição mais farta. Essa lógica explica a centralidade da ceia na noite de
24 de dezembro, prática que se manteve ao longo dos séculos e se espalhou para
diferentes regiões do mundo, adaptando-se a contextos culturais e sociais
distintos.
No Brasil, a ceia natalina
chegou com os colonizadores portugueses, que trouxeram tanto o calendário
religioso quanto pratos e hábitos alimentares associados à data. O costume da
mesa farta, com destaque para peixes, carnes e doces, foi preservado, mas passou
por adaptações em razão do clima e da disponibilidade de ingredientes.
Celebrado no verão, o Natal brasileiro incorporou preparações mais leves e
produtos locais, como arroz, farofa e frutas tropicais.
Tribuna do Norte
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