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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Ceias prontas e sob encomenda trazem praticidade à mesa natalina

 A tradicional ceia natalina reúne famílias em celebração, e hoje, em um mundo onde as pessoas buscam cada vez mais autonomia, é possível encomendar o jantar de Natal ou comprá-lo já pronto. Diversas famílias optam pela encomenda nessa época do ano, seja com antecedência, seja quase na véspera do Natal, 24 de dezembro. Na capital potiguar, padarias, docerias e culinaristas oferecem essa opção prática, a preços e formatos variados.

Os cardápios são variados, indo de alternativas mais tradicionais a ceias elaboradas, que misturam doces e salgados. A padaria Gosto de Pão, no bairro Lagoa Nova, oferece o serviço de encomendas desde 1993. É o que conta a gerente do estabelecimento, Mariza Silva. Na visão dela, a ceia natalina significa “festa”: “E festa é sempre uma coisa que vem com felicidade. Para mim, significa festa, amor, confraternizações. Chegar mais perto um do outro.”

Mariza diz que o assado (peru) e a rabanada são itens quase obrigatórios de uma ceia natalina. A gerente conta que o cardápio natalino é construído ouvindo sugestões da equipe. As encomendas estão sendo feitas desde o dia 10, indo até às 19h do dia 23 deste mês. “Estamos botando fé, acreditando que vai dar certo, que a gente vai bombar”, compartilha.

Sócias da doceria DeKacau, no bairro Planalto, Débora de Sena e Caroline Silva veem as festas natalinas como uma oportunidade de turbinar os lucros da empresa, ao mesmo tempo em que buscam espalhar a alegria e o clima de confraternização para seus clientes. O serviço existe desde 2023 e se mostrou uma aposta de bom retorno.

“O final de ano significa confraternizar. Significa união, reunir a família com alegria e comer coisas boas”, Débora define. A campanha da doceria em 2025 – “O sabor que celebra” – reafirma a importância da ceia natalina. “É algo que a gente pensa muito antes de oferecer para o nosso cliente. Selecionamos bem todos os produtos para oferecer algo que faça a diferença na ceia de cada cliente”, Caroline acrescenta.

De acordo com as sócias, a ideia surgiu a partir da percepção de que os clientes queriam os doces da DeKacau em suas ceias. Já acostumadas a trabalhar com encomendas, elas dizem que o Natal é a segunda data de mais faturamento para a empresa, perdendo apenas para a Páscoa.

“Para os clientes, é inevitável que chegue o final do ano e eles não peçam que a gente esteja junto deles, também, nesse momento especial”, afirma Débora. “E quando chega no final do ano, eles já perguntam: e para o Natal, vai ter cardápio, vai ter ceia?”, Caroline completa.

A doceria oferta ceias sob encomenda, mas se prepara para vendas em cima da hora. Em 24 de dezembro, véspera de Natal, a DeKacau terá produção extra a pronta entrega. “Vamos deixar tortas, alguns salgados, algumas coisas de ceia que a gente sabe que o pessoal procura mais, disponíveis na vitrine”, afirma Débora.

“Neste ano, a gente colocou mais pratos salgados para ter um diferencial, apesar de a gente ser muito focada no doce”, conta Caroline Silva. Entre outros itens disponíveis, estão panetones trufados, arroz colorido, salpicão, canapés e diversas sobremesas. Da lista de itens tradicionais, falta o peru.

Também há a opção de personalizar o pedido e entregar presentes em forma de produtos natalinos. “A ceia vai depender do cliente. Tem cliente que diz: ‘ah, eu só quero doce, porque o salgado não é comigo’, então a gente faz de acordo com o que ele quer. Neste ano, inclusive, a gente investiu no cardápio online, em que os clientes têm uma liberdade maior de escolher”, explica Caroline.

Na padaria Gosto de Pão, o dia 24 também será de exposição de produtos natalinos. Segundo Mariza Silva, a demanda está alta, com a expectativa de vender cerca de 50 ceias completas até a véspera de Natal. “Graças a Deus e aos clientes, este ano [a demanda] está bem melhor. Temos um cardápio belíssimo”, pontua.

A operadora de caixa Érica Santos organiza as encomendas na padaria Sabor de Pão. Segundo ela, os clientes costumam pedir em cima da hora, mas o ritmo de encomendas já está alto. Érica estima que a padaria terá cerca de 190 pedidos relacionados à ceia.

“A procura é muito grande no Natal. É um dia muito corrido, parece estar todo mundo em uma maratona. Para quem pode encomendar, é bem melhor, porque não tem aquela responsabilidade de passar o dia cozinhando e a noite estar super cansado”, Érica relata. Para ela, panetone e rabanada não podem faltar na refeição natalina. “O dia de cear é um dia especial. Um dia em que todo mundo se junta pra se confraternizar”, resume.

As profissionais ouvidas pela reportagem explicam que a praticidade de encomendar a ceia traz conforto para as famílias e dá mais tempo livre para aproveitarem a confraternização. “A praticidade é enorme, principalmente para a gente que oferece o delivery também. Você tem tudo pronto, e recebe na sua casa produtos fresquinhos e deliciosos”, diz Débora de Sena. Mariza Silva afirma que não é interessante ficar cozinhando no dia da ceia.“É um dia de confraternização. É um dia de felicidade”.

Na padaria Gosto de Pão, há diversas opções de ceias, com preços indo de R$ 179 (kit básico) a R$ 479,90 (kit presente de Natal). A DeKacau oferece um preço médio entre R$ 200 e R$ 250 – contando com sobremesa e um complemento para a ceia.

“Como a gente não entrega uma ceia completa [sem o peru] para o cliente, não tem como a gente dar um ticket médio estimado de uma ceia completa. O cliente que faz o pedido mais completo ali do cardápio, que leva todos os itens, paga em torno de R$ 600”, Débora relata.

A tradição da ceia natalina tem origem em antigos rituais do hemisfério norte, associados às festas do solstício de inverno. Povos europeus celebravam o período com banquetes coletivos, marcando o fim dos dias mais escuros e a expectativa de renovação. Com a consolidação do cristianismo, esses costumes foram incorporados ao calendário religioso, e o Natal passou a ser celebrado em 25 de dezembro, com a refeição assumindo o sentido de partilha e comunhão.

Na tradição cristã medieval, a véspera do Natal era marcada pelo jejum, rompido à noite ou no dia seguinte com uma refeição mais farta. Essa lógica explica a centralidade da ceia na noite de 24 de dezembro, prática que se manteve ao longo dos séculos e se espalhou para diferentes regiões do mundo, adaptando-se a contextos culturais e sociais distintos.

No Brasil, a ceia natalina chegou com os colonizadores portugueses, que trouxeram tanto o calendário religioso quanto pratos e hábitos alimentares associados à data. O costume da mesa farta, com destaque para peixes, carnes e doces, foi preservado, mas passou por adaptações em razão do clima e da disponibilidade de ingredientes. Celebrado no verão, o Natal brasileiro incorporou preparações mais leves e produtos locais, como arroz, farofa e frutas tropicais.

Ao longo do século 20, a urbanização e a indústria alimentícia ajudaram a padronizar a ceia no país, com a consolidação de aves assadas como prato principal e a popularização de itens como panetone e frutas secas. Apesar das variações regionais, a ceia se firmou menos como um ritual estritamente religioso e mais como um momento de reunião familiar, em que a partilha da mesa se mantém como elemento central da celebração

Tribuna do Norte

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