A Praia da Redinha viveu, na
manhã desta quinta-feira (29), uma edição especial do Projeto Natal Praia
Inclusiva, realizada pela primeira vez na Zona Norte, que promove o acesso para
pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. A ação ocorreu das 8h às 12h e
disponibilizou uma estrutura totalmente adaptada, com tenda de apoio, rampa de
acesso, esteira Easyflor, banho assistido e equipamentos que facilitam o acesso
ao mar.
A iniciativa foi realizada com
o apoio da Prefeitura do Natal em parceria com a Sociedade Amigos do Deficiente
Físico (SADEF), entidade que desenvolve o projeto de forma permanente na Praia
de Ponta Negra desde 2017. A edição especial na Redinha funcionou como uma
experiência piloto, com potencial de ampliação para a região, ampliando o
alcance das políticas públicas de acessibilidade e inclusão no litoral da
capital.
Um dos principais destaques foram as cadeiras anfíbias, projetadas com rodas especiais que não afundam na areia e flutuam na água, permitindo o banho de mar com segurança. Os equipamentos contam ainda com cinto de segurança regulável, encosto, assento, apoios para cabeça e pés, garantindo estabilidade e conforto, sempre com o acompanhamento de uma equipe capacitada.
“A gente tem procurado,
principalmente por meio do Comitê da Pessoa com Deficiência, pautar e
fortalecer as políticas públicas em execução. A SADEF é uma instituição já
consolidada no Rio Grande do Norte pelo trabalho que desenvolve. Hoje, nesta
edição especial aqui na Redinha, estamos falando de turismo acessível, de
acolher pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que moram ou visitam
Natal. Nosso compromisso é dar continuidade a esse trabalho e buscar a expansão
do projeto Natal Praia Inclusiva para todas as praias do município”, afirmou.
Para a SADEF, a realização da
ação na Zona Norte representa um passo importante para ampliar o acesso ao
projeto. De acordo com o presidente da entidade, Dário Gomes, o Natal Praia
Inclusiva funciona de forma fixa em Ponta Negra aos sábados e domingos, atendendo
gratuitamente pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
“Essa é a primeira vez que
estamos na Redinha. O projeto é gratuito, trabalha com cadeiras anfíbias e foi
criado para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Hoje é um evento
teste para que possamos, futuramente, fixar a ação também aqui”, explicou.
Segundo ele, a iniciativa já beneficia mais de 200 pessoas por mês e integra um
projeto social que nasceu a partir do ideal de Tércio Tinoco.
Para quem participa, o impacto
vai além do banho de mar. Petrônio Alves, de 60 anos, frequenta o projeto há
dois anos e meio em Ponta Negra. Diabético e com mobilidade reduzida após a
amputação de uma perna, ele resume o significado da ação: “Socializar é a maior
missão desse projeto”.
A mesma percepção é
compartilhada por Sérgio Cabral, pedagogo de 37 anos, que participa da
iniciativa há muitos anos. “Uma das grandes importâncias é a interação com o
próximo e a oportunidade de estarmos juntos. É também um motivo de superação.
Poderíamos estar em casa, mas estamos aqui. Mesmo com as limitações, estamos
encontrando nosso espaço”, relatou.
Além do banho de mar, os
participantes também tiveram acesso a serviços de cuidado e bem-estar, como a
massoterapia. A fisioterapeuta Gilcineide Sales, voluntária do projeto há
quatro anos, destacou o impacto social da iniciativa.
“Esse projeto é muito
importante no aspecto social. Muitas pessoas deixam de ir à praia porque se
sentem incapazes. O projeto transforma isso, promove inclusão. Já vivi muitos
momentos emocionantes, de pessoas que nunca tinham visto o mar e, por meio do projeto,
passaram a se sentir capazes, vivas”, contou.
A ação foi desenvolvida com a
participação das secretarias municipais de Turismo (Setur) e de Direitos
Humanos (Semidh).
Tribuna do Norte
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