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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Golpistas simulam voz de mãe de vítima por inteligência artificial para pedir transferência de R$ 1 mil


Golpistas estão utilizando áudios falsos criados com inteligência artificial para enganar famílias em Cascavel, no oeste do Paraná. Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), com poucos segundos de gravação, os criminosos conseguem copiar a voz de pessoas reais e enviar mensagens pedindo dinheiro a parentes, o que aumenta as chances de a vítima acreditar no pedido. As informações são do g1.

Um dos casos ocorreu com o morador de Cascavel Anderson Guilherme Figueira. Familiares dele receberam mensagens de um número desconhecido que usava a foto de Anderson e informava que ele havia trocado de telefone. Em seguida, o golpista solicitou pouco mais de R$ 1 mil para o pagamento de uma suposta conta. Além das mensagens de texto, os criminosos enviaram um áudio que parecia ser da mãe de Anderson, Angela, confirmando a necessidade do dinheiro. O áudio, no entanto, não foi gravado por ela.

“Minha avó recebeu essa mensagem com a voz da minha mãe dizendo que podia mandar o dinheiro. A voz era idêntica. Ela tinha certeza”, contou Anderson. Segundo ele, o realismo do áudio chamou a atenção da família. A avó não chegou a fazer a transferência, mas a mãe de Anderson também foi contatada pelos golpistas e, acreditando se tratar do filho, enviou R$ 250.

De acordo com Anderson, a foto utilizada pelos criminosos foi retirada de uma rede social. A origem do áudio usado para a clonagem da voz da mãe ainda é desconhecida, mas a polícia acredita que tenha sido obtido a partir de vídeos publicados nas redes sociais.

Anderson encaminhou à reportagem da RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o áudio falso e um áudio real para comparação, que mostram a semelhança entre as vozes.

A Polícia Civil alerta que esse tipo de golpe tem se tornado mais frequente. Antes, os estelionatários atuavam principalmente com mensagens escritas, mas agora utilizam recursos de áudio, imagem e até vídeos falsos.

Segundo o delegado Emmanoel David, especializado em estelionato, não é necessário que a pessoa grave algo diretamente para os criminosos. “A própria internet deixa vestígios da vida da pessoa. Redes sociais têm voz, vídeo e imagem suficientes para a clonagem. A tecnologia é acessível, e qualquer um pode ser vítima”, afirmou.

A orientação da polícia é para que as pessoas desconfiem de mensagens informando troca de número e pedidos de dinheiro, confirmem a informação por outro meio de contato e evitem manter perfis abertos com grande quantidade de vídeos e áudios. A PCPR também recomenda registrar boletim de ocorrência, mesmo quando o valor transferido é baixo.

Segundo a corporação, o registro pode ajudar na identificação de conexões entre golpes e possíveis associações criminosas. O boletim de ocorrência pode ser feito de forma online.

Agora RN

 

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