Golpistas estão utilizando
áudios falsos criados com inteligência artificial para enganar famílias em
Cascavel, no oeste do Paraná. Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), com
poucos segundos de gravação, os criminosos conseguem copiar a voz de pessoas
reais e enviar mensagens pedindo dinheiro a parentes, o que aumenta as chances
de a vítima acreditar no pedido. As informações são do g1.
Um dos casos ocorreu com o morador de Cascavel Anderson Guilherme Figueira. Familiares dele receberam mensagens de um número desconhecido que usava a foto de Anderson e informava que ele havia trocado de telefone. Em seguida, o golpista solicitou pouco mais de R$ 1 mil para o pagamento de uma suposta conta. Além das mensagens de texto, os criminosos enviaram um áudio que parecia ser da mãe de Anderson, Angela, confirmando a necessidade do dinheiro. O áudio, no entanto, não foi gravado por ela.
“Minha avó recebeu essa mensagem com a voz da minha mãe dizendo que podia mandar o dinheiro. A voz era idêntica. Ela tinha certeza”, contou Anderson. Segundo ele, o realismo do áudio chamou a atenção da família. A avó não chegou a fazer a transferência, mas a mãe de Anderson também foi contatada pelos golpistas e, acreditando se tratar do filho, enviou R$ 250.
De acordo com Anderson, a foto
utilizada pelos criminosos foi retirada de uma rede social. A origem do áudio
usado para a clonagem da voz da mãe ainda é desconhecida, mas a polícia
acredita que tenha sido obtido a partir de vídeos publicados nas redes sociais.
Anderson encaminhou à
reportagem da RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o áudio falso e um áudio
real para comparação, que mostram a semelhança entre as vozes.
A Polícia Civil alerta que
esse tipo de golpe tem se tornado mais frequente. Antes, os estelionatários
atuavam principalmente com mensagens escritas, mas agora utilizam recursos de
áudio, imagem e até vídeos falsos.
Segundo o delegado Emmanoel
David, especializado em estelionato, não é necessário que a pessoa grave algo
diretamente para os criminosos. “A própria internet deixa vestígios da vida da
pessoa. Redes sociais têm voz, vídeo e imagem suficientes para a clonagem. A
tecnologia é acessível, e qualquer um pode ser vítima”, afirmou.
A orientação da polícia é para
que as pessoas desconfiem de mensagens informando troca de número e pedidos de
dinheiro, confirmem a informação por outro meio de contato e evitem manter
perfis abertos com grande quantidade de vídeos e áudios. A PCPR também
recomenda registrar boletim de ocorrência, mesmo quando o valor transferido é
baixo.
Segundo a corporação, o
registro pode ajudar na identificação de conexões entre golpes e possíveis
associações criminosas. O boletim de ocorrência pode ser feito de forma online.
Agora RN
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