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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Segredos do cometa interestelar 3I/ATLAS são revelados com passagem próxima do Sol


Os autores do estudo usaram o espectrofotômetro SPHEREx, da NASA, para estudar o cometa em agosto e dezembro. Eles notaram um aumento drástico na atividade, típico de cometas que se aproximam do Sol, e coletaram dados que ajudam a entender onde esse fragmento congelado pode ter se formado.

O estudo mostrou que todos os tipos de gelo do cometa estão sublimando, ou seja, passando diretamente do estado sólido para o gasoso. Essa vaporização forma a coma, a atmosfera difusa que envolve o núcleo do cometa. Entre os gases liberados estão água, dióxido de carbono, monóxido e nitreto. A distribuição dessas moléculas é quase circular, enquanto os hidrocarbonetos e a poeira têm padrões diferentes.

A poeira, mais pesada, cria a chamada anticauda, uma cauda extra que aponta para o Sol, e que é relativamente rara. Já os hidrocarbonetos, menos móveis, surgem na coma apenas após a sublimção do gelo de água. Observações de dezembro mostraram moléculas que não tinham sido detectadas antes, sugerindo que estavam aprisionadas ou cobertas pelo gelo.

Outro destaque foi a quantidade de dióxido de carbono presente. A proporção de CO₂ em relação à água é uma das mais altas já registradas em cometas. Isso indica que o 3I/ATLAS pode ter sido exposto a radiação intensa ou ter se formado em uma região de seu sistema original onde o gelo de CO₂ se separa naturalmente do gás.

Essas descobertas ajudam a compreender melhor a diversidade de objetos interestelares e os processos que moldam sua composição, fornecendo pistas sobre a história química da galáxia e a formação de corpos gelados além do nosso Sistema Solar.

O estudo destaca 3I/ATLAS como um objeto único, com uma mistura de gases e partículas que desafia comparações diretas com cometas do Sistema Solar, mostrando que há muito a aprender sobre os viajantes interestelares que cruzam nosso caminho.

 Olhar Digital

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