Na avaliação de analistas,
essa alta reflete um aumento de busca por proteção, o que faz com que os
investidores busquem refúgio no dólar em detrimento aos ativos de países
emergentes. No entanto, Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora
H.Commcor, vê que esse pode ser um movimento de curto prazo, já que não há
fatores que sustentem essa maior aversão ao risco.
— Essa alta é um movimento de
busca por segurança e o dólar avança sobre as moedas de emergentes. Mas, ao
mesmo tempo, a expectativa é de maior liquidez global — afirmou.
Na quarta-feira, após a
divulgação da ata da última reunião do comitê de política monetária do Federal
Reserve (Fed, o bc americano), o dólar perdeu força, com o entendimento de que
não ocorrerá uma alta de juros nos Estados Unidos em abril. Mas a alta não foi
descartada e pode ocorrer ainda em 2016. Além disso, o presidente do Banco
Central Europeu (BCE), Mario Draghi, alertou que 2016 será um ano de desafios
para a economia, o que fez aumentar a aversão ao risco, apesar de admitir novos
estímulos. O dólar ganha força em relação a moedas consideradas fortes e de boa
parte da de países emergentes. O “dollar index” tem leve alta de 0,06%.
— Além da questão da atuação
do Banco Central, há um amadurecimento do investidor, que percebeu que é uma
realidade a alta de juros nos Estados Unidos, mesmo que ela não ocorra agora. O
dólar ganha força no mundo todo — explicou Raphael Figueredo, analista da Clear
Corretora.
Internamente, o BC conseguiu
ofertar 8,5 mil dos 20mil contratos de swap cambial reverso, que possuem efeito
de compra de moeda no mercado futuro, o que tende a pressionar as cotações.
Além disso, está fazendo a rolagem apenas parcial dos contratos de swap
tradicional, reduzindo sua exposição à divisa. Na quarta-feira, o dólar fechou
em queda de 0,89%, a R$ 3,645.
O cenário político também
segue no radar dos investidores, com atenção redobrada ao andamento do processo
de impeachment na comissão especial da Câmara dos Deputados. “É inegável que o
quadro de tensão interna está mexendo e formando preço dos ativos no cenário
local. Ontem tivemos a leitura do relatório da comissão de impeachment da
presidente Dilma Rousseff com posicionamento antagônico e beligerante por parte
da oposição e situação. Há nítida discórdia nos três poderes, e isso certamente
não serve para os ajustes na economia”, avaliou, em relatório, Álvaro Bandeira,
economista-chefe da Modalmais.
Na Bolsa, o índice sobe com a
recuperação dos papéis da Petrobras. As ações preferenciais (PNs, sem direito a
voto) da estatal sobem 0,79%, cotadas a R$ 7,64, e as ordinárias (ONs, com
direito a voto) avançam 0,71%, a R$ 9,80. Esse movimento vai na contramão do
mercado externo de petróleo. O barril do tipo Brent cai 2,46%, a US$ 38,86.
Essa recuperação da Petrobras,
no entanto, é encarada como um ajuste, uma vez que na quarta-feira as ações
caíram forte, refletindo o cenário político, com a indefinição sobre o
impeachment. A alta de quase 5% no preço do petróleo no pregão anterior acabou
não fazendo efeito na Bolsa brasileira.
O Ibovespa vai no sentido
contrário das principais Bolsas no mundo. O Dow Jones cai 0,66% e o S&P 500
tem retração de 0,95%. Queda também na Europa, com o DAX, de Frankfurt,
fechando com desvalorização de 0,98% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, caindo
0,90%.
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