O ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva divulgou um vídeo nas redes sociais em que diz que o impeachment
é golpe e que, se for aprovado no próximo domingo, agravará a crise. Ele diz
que ninguém que não teve a legitimidade do voto conseguirá governar o país e
contará com o respeito da população. O vídeo de Lula é uma estratégia casada
com a presidente Dilma Rousseff, que nesta sexta-feira à noite fará um
pronunciamento à nação em cadeia nacional de rádio e TV.
No vídeo, publicado em sua
página no Facebook no começo da tarde desta sexta-feira, Lula fez um apelo aos
deputados que vão votar o processo. Na gravação, ele ataca o vice-presidente
Michel Temer sem citá-lo nominalmente.
- Quem trai o compromisso
selado nas urnas não vai sustentar acordos feitos nas sombras - acusa Lula, se
referindo às negociações feitas pelo vice-presidente com os partidos.
O petista pediu aos deputados
que “pensem com muita serenidade”. Na avaliação do ex-presidente, todas
conquistas da constituição de 1988 e de seu governo estão ameaçadas se o
impeachment passar. Ele diz que "juntos" conseguimos vencer a fome,
reduzir a desigualdade, superar desafios econômicos, políticos e sociais e
derrubar "o muro que dividia o Brasil entre os que tudo podiam e os que
sempre ficaram à margem da história".
- Todo esse esforço pode ser
jogado fora por um passo errado, um passo impensado, no próximo domingo -
argumenta ele, que diz ainda estar disposto a empenhar esforço pessoal na
reconstrução do governo:
- Derrotado o impeachment, já
na segunda-feira, independente de cargos, estarei empenhado, junto com a
presidenta Dilma, para que o Brasil tenha um novo modo de governar. Nessa
próxima etapa, vou usar minha experiência de ex-presidente para ajudar na
reconstrução do diálogo e unir o país.
Lula reconhece que o governo
tem "falhas", mas aponta o caminho da "responsabilidade" e
"maturidade" para recuperar a credibilidade internacional do país. O
ex-presidente faz um apelo para que "todos confiem" em sua palavra e
mantenham a "defesa da democracia".
- Por isso, peço a todos que
confiem na minha palavra e mantenham a defesa da democracia - disse Luiz Inácio
Lula da Silva, e completou colocando a derrubada do impeachment de Dilma como
uma etapa que precederá a superação da crise:
- É verdade que o governo tem
falhas, que precisam ser corrigidas. Mas nós já fomos capazes de superar
grandes desafios e saberemos fazer isso mais uma vez.
LEGITIMIDADE DE TEMER
QUESTIONADA
Lula questionou a legitimidade
de Temer para governar e levantou dúvidas sobre o empenho do peemedebista para
combater a corrupção caso assuma o poder:
- Ninguém conseguirá governar
um país de 200 milhões de habitantes, uma das maioridades economias do mundo,
se não tiver a legitimidade voto popular. Ninguém será respeitado como
governante se não respeitar a constituição e as regras do jogo democrático.
Ninguém será respeitado se não prosseguir no combate implacável á corrupção que
a sociedade exige.
Lula ainda falou aos
parlamentares que não se deixem levar pelos compromissos assumidos pelo
peemedebista:
- Uma coisa é divergir do
governo, criticar os erros, cobrar mais diálogo e participação. Esse é papel do
Legislativo que deve ser respeitado. Outra coisa é embarcar em aventuras, acreditando
no canto de sereia dos que se sentam na cadeira antes da hora.
Também afirmou que a situação
irá piorar com o afastamento da presidente:
- Estou convencido de que o
golpe do impeachment não passará. Derrubar um governo eleito democraticamente
sem que haja um crime de responsabilidade não vai consertar nada. Só vai
agravar a crise.
Na opinião de Lula, as
manifestações contra o impeachment alertam que “fora da democracia, o que vai
existir é o caos e a incerteza permanente”. E diz também esperar "novamente"
fazer o Brasil "maior e mais justo".
O Globo
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