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O ministro-chefe do Gabinete
Pessoal da Presidente da República,Jaques Wagner, durante entrevista (Foto: Givaldo
Barbosa / Agência O Globo)
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Escalado pela presidente Dilma
Rousseff para rebater o áudio do vice Michel Temer em que prega um governo de
salvação, o ministro chefe do gabinete pessoal de Dilma disse que, passada a
votação do impeachment na Câmara e Dilma permanecendo no Poder, o vice deveria
renunciar ao cargo para ser coerente com sua atitude golpista. Num tom que
nunca havia antes adotado em relação ao vice, Wagner disse que conspiradores
não merecem educação. Segundo o ministro, Dilma ficou “perplexa” e recebeu com
tristeza o discurso feito por Temer.
— (A fala de Temer) rasga uma
fantasia de patrocinador e maior beneficiário neste golpe. Pode ficar desmentido
no domingo e um pouco sem saída e deveria renunciar depois de assumir a
conspiração. O clima é insustentável. Se quebra qualquer respeito pela
liturgia. Não há educação para conspiradores que não tem nenhum código de
ética. Fez esse discurso com a faixa presidencial na frente do espelho.
Confundiu o processo de impeachment com uma tentativa de eleição indireta. Acho
muito feio. A presidente Dilma ouviu e ficou perplexa. Acho muito ruim e uma
atitudedeplorável. Produziu o que pode ser o tiro de misericórdia — disse
Wagner, minutos após o governo ser derrotado na Comissão de impeachment na
Câmara.
A divulgação do áudio do vice
também pegou de surpresa parlamentares governistas e oposicionistas, que
avaliaram que o vazamento pode ter sido proposital. A estratégia divide
opiniões. Para a oposição, o discurso de Temer tem conteúdo positivo e ajudará
no clima pró-impeachment.
Os aliados do governo
sustentam que reforça a tese do golpe. Na avaliação do ministro da Secretaria
de Governo, Ricardo Berzoini, o vazamento da gravação de Temer é "um tiro
no pé", que denota a "arrogância" do peemedebista. O ministro
afirmou ainda que as declarações mostram "uma trama golpista" e
"as características golpistas" do vice. O governo, porém, não sabe
avaliar ainda se isso significará em mudança de votos na votação do plenário.
Temer disse depois do
vazamento que ele cometeu um equívoco ao tentar enviar o áudio a um amigo e,
sem querer, encaminhou o que seria um discurso pós-impeachment para um grupo de
peemedebistas.
O Globo

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