sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Nem a distância salva: Mesmo com isolamento social, número de homicídios de 2020 já é maior que em 2019

Para algumas coisas, o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus não serviu para nada. Exemplo é a violência. Poderia ter colaborado para a redução das chamadas condutas violentas letais intencionais (CVLIs)? Sim, mas não ajudou. Em 2019, de 1º de janeiro a 27 de agosto, 968 pessoas foram mortas no Rio Grande do Norte. Já este ano — considerado atípico em razão da doença — 983 já foram vítimas da violência. E olha que ainda faltam 4 meses inteiros e quatro dias para 2020 acabar.

Os dados de CVLIs são da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Rede e Instituto de Pesquisa Observatório da Violência (OBVIO), além da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análise Criminal (Coine) da Secretaria Estadual da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), e revelam que os homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) e os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) foram os que mais aumentaram: + 9,18% e + 7,14%, respectivamente. Para os demais casos, houve redução. São eles: lesão corporal seguida de morte, – 46,67%; intervenção policial, – 10,43%; e feminicídios, – 41,18%.

Regiões

Com relação às regiões do estado, Oeste e Agreste foram as que registraram maior aumento de mortes, com crescimento de 15,16% e 3,3% respectivamente. Já nas regiões Central e Leste houve queda: – 7,41 e – 4,9% respectivamente.

Mais homens, menos mulheres

Os dados da Coine também mostram que os homens continuam no topo da violência. No período de 1º de janeiro e 27 de agosto, mais homens morreram este ano que no ano passado. Em números absolutos, foram 898 pessoas do sexo masculino mortas em 2019 contra 920 em 2020 — um crescimento de 2,45%. Já as mortes envolvendo mulheres, caíram 12,86%. Em números absolutos, foram 70 mulheres mortas em 2019 contra 61 pessoas do sexo feminino assassinadas este ano.

“O crime organizado atua como uma atividade comercial que precisa se manter gerando lucro”

O coordenador da Coine, Ivenio Hermes disse, em estudo publicado pelo OBVIO, atribui o aumento dos números de CVLIs à adaptação da dinâmica criminal aos tempos de pandemia, ou seja, o crime organizado atua como uma atividade comercial que precisa se manter gerando lucro, e diante de quaisquer dificuldades, buscam migrar suas ações para outros territórios e outras atividades ilícitas.

“No primeiro caso, ao migrar de territórios, os criminosos entram em disputa com outros grupos e até com a polícia, aumentando os números de casos de homicídios dolosos e mortes resultantes das intervenções policiais. No segundo caso, ampliam o leque de ilicitudes para além do tráfico de drogas ilícitas e de armas para o contrabando de cigarros, roubo de mercadorias, para a negociação com veículos e cargas roubadas, e outras, que são crimes que alimentam e retroalimentam a cadeia constante de assassinatos”, destacou Ivenio.

Atlas da Violência coloca o RN como 2º estado do país com maior número de jovens assassinados


RN apresenta taxa de 52,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Foto: Ney Douglas
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram nesta quinta-feira 27 o Atlas da Violência — com dados que mostram a evolução da violência entre os anos de 2008 e 2018. No último ano do levantamento, segundo o estudo, o Rio Grande do Norte apresentava uma taxa de 52,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes (1.825 homicídios), sendo o terceiro estado mais violentos do país — atrás apenas do Ceará, com taxa de 54,0 e o Pará, com taxa de 53,2.

Com relação a jovens assassinados, grupo etário de pessoas entre 15 e 29, o Rio Grande do Norte pontuou ainda mais negativamente, ficando na segunda posição, com taxa de 119,3 jovens mortos para cada grupo de 100 mil habitantes. O pior foi Roraima, com taxa de 142,5. A média do país foi de 60,4.

O Rio Grande do Norte também se destacou negativamente na taxa de Mortes Violentas com Causa Indeterminada (MVCI). Neste caso, quando analisados a taxa de MVCI por 100 mil habitantes em 2018, dez estados figuraram na lista com índices acima de 5 por 100 mil habitantes – o que aponta para uma situação preocupante em termos da qualidade dos dados nessas localidades. São eles: Roraima (11,3), Bahia (10,6), São Paulo (9,4), Pernambuco (8,6), Rio de Janeiro (8,4), Espírito Santo (6,6), Rio Grande do Norte (6,4), Minas Gerais (6,0), Ceará (5,9) e Sergipe (5,0).

AgoraRN

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