Cientistas vêm medindo
cuidadosamente o eixo de rotação da Terra desde 1899. Antes do século XXI, o
polo vagava em direção a Hudson Bay, Canadá, movendo-se a uma taxa de cerca de
sete centímetros por ano. Acredita-se que esta migração a longo prazo está
relacionada à perda da camada de gelo Laurentide, que cobriu o Canadá e grande
parte do norte dos EUA durante a última era do gelo.
Mas por volta da virada do
século, os nossos eixos de rotação seguiram um novo rumo. O polo norte de
rotação agora está indo para o leste, ao longo do meridiano de Greenwich, e
está se movendo duas vezes mais rápido que antes. “Os cientistas acreditavam
que isso devia estar relacionado ao derretimento da camada de gelo da
Groenlândia”, disse Adhikari.
No entanto, as camadas de gelo
não contam a história completa. Ao combinar modelos de distribuição de massa
com dados do satélite GRACE (Experimento de Recuperação de Gravidade e Clima)
da NASA, Adhikari encontrou outro fator crítico: o armazenamento de água no
solo – especialmente em toda a Eurásia.
Os seres humanos movem grandes
volumes de água subterrânea através de bombeamento, e também indiretamente
através da mudança climática, que faz alguns lugares se tornarem mais secos e
outros, mais úmidos. Tomadas em conjunto, essas mudanças estão fazendo o nosso
planeta tombar ligeiramente para o lado.
A relação entre o
armazenamento de água continental e a mudança no eixo de rotação da Terra. O
primeiro mapa mostra o período 2005-2011; o segundo mostra o período 2012-2015.
As partes em vermelho tiveram um aumento na quantidade de água; as partes em
azul tiveram perda de água. (NASA/JPL-Caltech)
O armazenamento de água no
solo também está diretamente relacionado a algo chamado oscilação decenal de
leste a oeste. É outra característica curiosa do eixo de rotação do nosso
planeta: os polos não migram seguindo uma linha reta. Em vez disso, eles traçam
uma curva sinusoidal que oscila para trás e para frente. “Aqui, pela primeira
vez, nós apresentamos um mecanismo físico plausível para isso”, diz Adhikari.
E esse mecanismo mostra porque
é importante estudar o desvio polar: para reconstruir o clima do passado. Temos
registros de migração polar que remontam ao início do século XX, e agora
sabemos que esses registros estão relacionados a padrões de umidade e seca.
“Isto significa que você pode
começar a responder algumas perguntas. Por exemplo, durante o século XX, houve
uma intensificação da seca ou umidade em algumas regiões do planeta? ”, diz
Adhikari. Isto é exatamente o que ele está começando a fazer agora, em colaboração
com hidrólogos do JPL.
E talvez mais importante: os
resultados trazem mais uma evidência de como os seres humanos se tornaram a
força dominante da natureza no planeta.
Ainda este ano, um grupo de
cientistas irá revisar formalmente uma proposta para definir uma nova era
geológica, marcada por humanos e máquinas, chamada de “Antropoceno” – o termo
ainda não é usado oficialmente por geólogos. O fato de que estamos mudando o
eixo no qual nosso mundo gira poderá ser um forte argumento.
GizModo UOL/Science Advances

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