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O relator Antônio Anastasia fala com o presidente da Comissão do Impeachment, Raimundo Lira - Aílton de Freritas/O Globo
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A comissão especial do Senado
que analisa o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff
recusou pedido da defesa para que fosse realizada uma perícia
econômico-financeira e contábil sobre os decretos de crédito suplementar e as
pedaladas fiscais. A defesa anunciou que vai recorrer ao presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Depois de quatro horas de debate,
a comissão finalmente começou a ouvir os depoimentos previstos para esta
quarta-feira.
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O relator, Antonio Anastasia
(PSDB-MG), tinha indeferido que um organismo internacional fizesse o trabalho,
mas concordou com uma perícia nacional. O presidente da comissão, Raimundo Lira
(PMDB-PB), disse que indicaria técnicos do Senado para a tarefa.
Parlamentares aliados do
presidente interino Michel Temer comandaram a derrubada do pedido. Eles
acreditam que a medida não acrescentaria informações novas ao processo e
poderia comprometer o cronograma, que prevê a conclusão do caso em agosto.
— Não tem pé e nem cabeça esse
pedido — disse o senador Ricardo Ferraço.
A jurista Janaina Conceição
Paschoal destacou que o Tribunal de Contas da União (TCU) já teria apontado a
ilegalidade e afirmou que o pedido seria uma tentativa de alongar o processo
para que Dilma pudesse voltar ao poder após os 180 dias de afastamento.
— É mais um indício de que ser
quer um processo procrastinado para passar 180 dias e a presidente voltar para
o caos no país — disse Janaina.
O senador Lindbergh Farias
(PT-RJ) criticou a decisão da comissão.
— Isso aqui é o golpe dentro
do golpe. Não estão se preocupando nem com as aparências. É um rolo compressor.
Todo mundo sabe que a mudança de voto aqui é depois que o senador Aloysio Nunes
(PSDB-SP), líder do governo, esteve aqui — disse o petista.
O advogado da presidente
Dilma, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, afirmou que a rejeição demonstra que
a perícia poderia ajudar na tarefa de contestar a acusação.
— A pessoa que acha
desnecessária não correrá risco de nulidade no processo por falta desse
elemento, mas correrão esse risco porque sabem que a perícia será demolidora a
suas pretensões — disse Cardozo.
Os parlamentares rejeitaram
também algumas das testemunhas indicadas pela defesa que seriam
"especialistas", como os ex-ministros Bresser Pereira e Ciro Gomes.
Antonio Anastasia argumenta que só se deve ouvir pessoas com relação com os
fatos apontados. Indeferiu-se, assim, 15 das 40 testemunhas propostas. Foi dado
um prazo de 24 horas após o término da sessão para a apresentação de outras
testemunhas. Cardozo anunciou que recorrerá da decisão porque os especialistas
seriam importante para a defesa fazer um debate sobre teses jurídicas.
DEPOIMENTOS
Indicado pela acusação, o
procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU),
Júlio Marcelo de Oliveira, é o primeiro a ser ouvido pela comissão. Na
sequência, será ouvido o auditor do TCU Antonio Carlos Costa d’Ávila Carvalho.
Há ainda outras testemunhas
indicadas pelos senadores. Do quadro de operação de crédito da Secretaria do
Tesouro Nacional, falarão Adriano Pereira de Paula e Otávio de Medeiros. Também
convocado, Rogério Jesus Alves Oliveira está em licença na Irlanda e, por isso,
não prestará depoimento.
Até o tempo para a realização
de perguntas motivou longo debates. O presidente da comissão chegou a suspender
a reunião para tentar um acordo. Ele propôs três minutos para que os senadores
perguntem e dois para que a testemunha responda. Os senadores aliados da
presidente afastada não concordaram. Como não houve acordo, a proposta de Lira
foi mantida pelo voto na comissão.
Antes de iniciar o depoimento,
a comissão decidiu questões preliminares. O colegiado aceitou pedido da defesa
dde Dilma e definiu que serão quatro decretos de crédito suplementar a serem
analisados. Com isso, poderão ser indicadas oito testemunhas para cada um
deles, seguindo o que decidiu Ricardo Lewandowski. Somadas a oito indicados que
falarão sobre as pedaladas fiscais, serão 40 as testemunhas de defesa. As
oitivas devem ocorrer até o dia 17 de junho.
Na continuação da análise de
preliminares, a comissão entendeu que não é necessário aguardar o julgamento
das contas presidenciais de 2015 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo
Congresso. Nessa sessão, além de Cardozo, participam também dois dos juristas
autores da denúncia, Miguel Reale Jr. e Janaina Conceição Paschoal. Eles têm
direito a usar a fala tanto no debate das preliminares quanto nos questionamentos
que serão feitos às testemunhas.
O Globo

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