O dólar opera em alta nesta
segunda-feira, chegando a passar de R$ 3,90, com investidores repercutindo
negativamente a menor presença popular nas manifestações pelo impeachment da
presidente Dilma Rousseff e adotando estratégias mais defensivas no início de
uma semana marcada por eventos importantes no Brasil e no exterior.
Às 14h10 (horário de Brasilia), a moeda
norte-americana subia 0,49%, a R$ 3,893 para venda, voltando ao patamar de R$
3,90 no intradia depois de duas semanas. Nas duas últimas sessões, a moeda
norte-americana já havia subido quase 2% em cada. Veja a cotação do dólar hoje.
"Como o mercado
claramente tem visto fatores que aumentem a chance do impeachment como
positivos, fatores que diminuam essa chance têm tido um efeito negativo",
disse o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno.
Milhares de manifestantes
foram às ruas no domingo pedindo a saída de Dilma, mas os protestos foram
menores do que anteriores (veja os números).
Muitos investidores acreditam
que eventual afastamento de Dilma poderia ajudar a recuperação da economia
brasileira. Outros ressaltam, porém, que a turbulência política pode travar o
ajuste fiscal.
Alguns investidores defenderam
que o avanço do dólar nas últimas sessões foi intensificado por um movimento de
correção, após o otimismo exagerado em relação ao impeachment, que em seguida
levou a moeda a ir a R$ 3,739 no fechamento há alguns dias.
Na quarta-feira, o Supremo
Tribunal Federal (STF) deve decidir sobre a validade da votação dos membros da
comissão especial da Câmara dos Deputados que analisará a abertura do
impeachment contra Dilma.
Juros nos EUA
No mesmo dia, o Federal
Reserve (Fed), banco central norte-americano, deve promover a primeira alta de
juros em cerca de década. Operadores ressaltavam, porém, que é provável que o
mercado já tenha incorporado essa informação e deve se concentrar nas
sinalizações do Fed sobre seus próximos passos.
"Talvez vejamos um
movimento de alta pontual (do dólar), para depois se acomodar um pouco. O
mercado já está preparado", disse o operador da corretora Spinelli José
Carlos Amado.
Juros mais altos nos EUA podem
atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados hoje no mercado
brasileiro.
O clima de aversão a risco nos
mercados internacionais que vem sendo a regra nas últimas sessões, em meio a
nova queda nos preços do petróleo e persistentes preocupações com a fraqueza da
economia chinesa, também ajudava a pressionar a moeda norte-americana nesta
sessão.
BC e últimos valores
Na sexta-feira, o dólar
avançou 1,93%, a R$ 3,8738 na venda. Na semana passada, a moeda dos EUA subiu
3,61%. No mês, há queda acumulada de 0,33%. No ano, a moeda já sobe 45,7%.
Pela manhã, o Banco Central
deu sequência à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, com oferta de
até 11.260 contratos, que equivalem a venda futura de dólares. Até agora, a
autoridade monetária já rolou o equivalente a 5,473 bilhões de dólares, ou cerca
de 51% do lote total, que corresponde a 10,694 bilhões de dólares.
Até agora, o BC já rolou o
equivalente a US$ 4,926 bilhões, ou cerca de 46% do lote total, que corresponde
a US$ 10,694 bilhões.
G1
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Reflita, analise e comente