terça-feira, 26 de julho de 2022

Polícia Civil apreende fuzis que seriam usados em chacina

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte apreendeu, neste final de semana, quatro fuzis classificados como “armas de guerra” em uma propriedade particular na zona rural entre a cidade de João Dias e Antônio Martins, Oeste potiguar. As armas seriam utilizadas numa chacina que ocorreria na cidade e foram interceptadas após denúncia anônima. Juntas, as armas são avaliadas em cerca de R$ 200 mil, em média. Foram apreendidos três fuzis tipo AR, calibre 556, e uma AK-47 calibre 762. 

  

A ação é um desdobramento da Operação Sinaloa, da Divisão do Combate ao Crime Organizado (Deicor). Segundo o delegado Luciano Augusto Pereira, adjunto da Deicor, as armas estavam escondidas no subsolo de uma propriedade rural localizada no distrito de Sítio Sítio.

 

“Demos início a essa terceira fase porque recebemos uma informação de que haveria uma chacina na cidades de João Dias e Antônio Martins. Essa denúncia trazia algumas informações de onde estariam as possíveis vítimas e determinados armamentos. Chegamos nessa granja, cuja propriedade certificamos que é do senhor Laete Jácome, vereador da cidade, e da dona Damária, irmã dos investigados iniciais e atual prefeita. Não havia nenhum morador nem caseiro, nem animal. Estava desabitada e conseguimos localizar os fuzis, enterrados numas caixas”, disse. 

Segundo Luciano Augusto, a investigação busca elucidar um quadruplo homicídio ocorrido em João Dias em 13 de janeiro de 2019. No decorrer das oitivas, uma organização criminosa foi identificada, no que ele define como o maior grupo criminoso que trafica drogas no Nordeste.

 

“De lá para cá, conseguimos não elucidar esse homicídio, mas identificar uma organização criminosa. Identificamos que se trata do maior grupo criminoso que trafica drogas no Nordeste, que passou pela nossa mão. Nunca identificamos um grupo que movimentasse tanto dinheiro e tanto poderio bélico quanto esse”, disse Luciano Augusto Pereira.

 

As investigações apontam que o grupo seria comandado Francisco Jácome e Leidjan Jácome, irmãos da atual prefeita de João Dias, Damária Jácome. Eles foram mortos na cidade de Barra, na Bahia, em outubro do ano passado, após abrirem fogo contra policiais, segundo informou à época a Polícia Civil. Posteriormente, Romeu Jácome foi preso dentro de um shopping em Aracaju, Sergipe.

 

A chácara onde as armas foram encontradas pertence a uma família com influência política em João Dias, como o presidente da Câmara Municipal, Laete Jácome (PP) e a atual prefeita, Damária Jácome. Segundo o delegado Luciano Augusto, não foi possível identificar relação dos fuzis com os políticos donos da chácara. “Até agora não identificamos participação de nenhum político nessa operação. Embora a propriedade pertencesse a eles, precisamos apurar. Não efetuamos prisão de ninguém e a área estava totalmente desabitada. Temos que instaurar inquérito, realizar oitivas e atribuir a quem pertence esse armamento”, aponta. 

 

Em setembro de 2020, a Polícia Civil deflagrou a primeira operação, onde foram detidos o pai dos suspeitos, Laete Jácome,  que é vereador e presidente da Câmara de Vereadores, e a irmã, Damaria Jácome de Oliveira, que é a prefeita da cidade. Já no dia 24 de junho, a Polícia deflagrou a segunda fase da operação e prendeu Samuel Jácome de Oliveira, outro irmão dos suspeitos, também supostamente envolvido com a prática do tráfico de drogas. 

 

A reportagem não conseguiu contato com os números disponíveis da prefeitura de João Dias e da Câmara Municipal. 

 

Histórico

 

A família da atual prefeita, Damária Jácome, teve envolvimento com crimes recentemente. Em outubro do ano passado, dois irmãos foram mortos na Bahia e um foi preso em Sergipe após confronto com a Polícia Civil, em operação contra o tráfico de drogas na região Nordeste.

 

Ainda em outubro, o pai de Damária, o vereador e presidente da Câmara Municipal de João Dias, chegou a ser preso em uma ação da Deicor que tinha mandados de prisão para os quatro irmãos. Na abordagem, os policiais não encontraram os filhos do vereador foragidos da justiça, mas apreenderam armas e cinco suspeitos. 

 

Na casa de Laete Jácome, onde foi cumprido um mandado de busca e apreensão, foram encontradas armas e munições. Os presentes na residência foram presos em flagrante por posse ilegal de armas e receptação.

 

As armas eram: duas espingardas calibre 12 com 100 munições do mesmo calibre, dois rifles calibre 38 com 103 munições do mesmo calibre, e três pistolas calibre 380, com 80 munições. Também foi encontrado R$ 15.535 em dinheiro.

 

À época, em nota, a prefeita Damária negou o envolvimento dos irmãos em crimes e afirmou que as acusações "são desprovidas de qualquer prova".

 

“Eu e minha família estamos vivendo os piores momentos das nossas vidas. Perdi dois, dos meus quatro irmãos. Jovens que foram brutalmente assassinados. Meus dois irmãos foram assassinados, sem que a eles fosse dado o direito de ser julgado pela Justiça dos homens. Tiraram a vida de dois jovens e estraçalharam com toda família do povo de João Dias, afinal, somos todos um só família", disse após a operação policial.


Tribuna do Norte

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